Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 28/06/2020

De acordo com pesquisas realizadas no ano de 2020 pelo site Catho Educação, a procura de cursos a distância aumentou em cerca de 70% durante os últimos anos. O levantamento ainda aponta que a pandemia do coronavírus foi um fator muito agravante para o alto crescimento, cerca de 68%, do número de matrículas em cursos a distância, entre o período de 21 de março e 06 de abril. Certamente, esses dados apresentam a importância do investimento no sistema de ensino a distância no Brasil, também conhecido como EAD. Devido ao rápido crescimento desse sistema, muitas complicações e dificuldades surgem ao levarmos em consideração a quantidade de alunos que vêm se matriculando nesse diferente sistema de ensino. Complicações que devem ser revisadas, afim de encontrarmos maneiras de proporcionar o melhor nível de ensino possível à todos os estudantes brasileiros, independente da classe social de cada um.

Primeramente, podemos começar a abordar o assunto utilizando a ideia do livro ‘‘A Sociedade Em Rede’’, do renomado sociólogo espanhol, Manuel Castells, que diz que a descentralização dos conhecimentos, ou seja, a criação de uma rede de conhecimentos, é essencial para a propagação dos estudos e habilidades adquiridas através de estudantes e outros profissionais. A criação de uma comunidade virtual onde estudantes de regiões diferentes pudesem criar laços e compartilhar ideias com o intuito da busca de conhecimentos possibilitaria a inclusão dos estudantes das classes sociais mais baixas, transformando a educação em algo mais acessível e aberto para inovações.

Em segundo plano, podemos nos basear da ideia de ‘’educação para a complexidade’’ descrita pelo sociólogo, Edgar Morin. A ideia de Morin possui como objetivo a educação da população através de assuntos diversos e recorrentes do cotidiano, a fim de, preparar a população para lidar com situações gerais, e problemas que podem surgir naturalmente nos ambientes onde o conhecimento prévio e a preparação são peças chaves para a resolução das adversidades.

Tratando-se de um tema educacional, cabe ao MEC e ao governo brasileiro o investimento em ações e tecnologias que possibilitam o desenvolvimento dos sistemas de ensino a distância e a inclusão da população das classes sociais mais baixas, já que mais de 60% dos estudantes de cursos a distância vêm das classes econômicas B e C.

Ações como a criação de sistemas e comunidades virtuais, divulgações de cursos gratuitos de capacitação profissional, e a diversificação nos conteúdos ensinados aos alunos, garantiriam uma maior capacitação profissional dos estudantes de EAD e de outros cursos não presenciais. Somente assim, será possível o rompimento das dificuldades atuais sobre a educação a distância no Brasil.