Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 03/07/2020

No livro “Cibercultura” de Pierre Lévy, publicado no final do século XX, retreta as percepções sobre o crescimento do ciberespaço, novo meio de comunicação em que não é necessária a presença física do homem, o autor coloca em cheque a organização do sistema educacional, que deve se adaptar às novas tecnologias. Embora esse conceito tenha colaborado com os métodos de ensino, no Brasil, ainda há muitos desafios em relação à educação a distância (EAD). Tal problemática ocorre devido, entre outros fatores, à falta de inclusão digital e a baixa qualidade de ensino de algumas instituições.

A princípio, torna-se evidente a falta de democratização digital, visto que muitos estudantes não têm conexão com a Internet. De acordo com instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que uma em cada quatro pessoas no Brasil não tem acesso à internet, tornando inviável a EAD para os mesmos. Acerca disso, é pertinente lembrar um dos pensamentos do educador Paulo Freire, de que a inclusão acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades. Dessa forma, é preciso olhar para essas pessoas e buscar soluções para garantir o acesso à essas tecnologias, pois na sociedade contemporânea tornou-se indispensável o uso delas.

Outrossim, a baixa qualidade de ensino de algumas instituições também corroboram com a problemática. Nesse sentido, muitos especialistas questionam a excelência desse tipo de ensino, em que a interação entre aluno e professor dificilmente acontece. De acordo com o sociólogo César Callegari, que defende que as novas tecnologias devem ser colocadas a favor da boa formação dos profissionais e não podem ser transformadas em fábricas de diploma. Logo, é preciso que haja investimento nesse método de ensino, garantindo uma boa infraestrutura.

Portanto, medidas são necessárias para minimizar o problema. Cabe ao Ministério da Educação garantir o uso dos meios tecnológicos para as pessoas de baixa renda, por meio de investimentos e fundos estatais e, também, ampliar o oferecimento de cursos nessa modalidade de ensino, bem como proporcionar uma maior qualidade na aprendizagem, a fim da formação de profissionais qualificados. Desse modo, o sistema mencionado por Lévy será uma realidade para todos.