Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 13/07/2020

As primeiras décadas do século XXI, no Brasil e no mundo globalizado, foram marcadas por significantes avanços científicos, como a Tecnologia de Comunicação e Informação (TICs). Nesse sentido, considera-se que tal desenvolvimento colaborou para a oportunidade de acesso, também, ao ensino a distância, que dentre suas potencialidades está, além da possibilidade de ascensão educacional, a sua flexibilidade e dinamismo. Porém, a perpetuação da exclusão social a partir da dificuldade digital causada principalmente pela limitação a cobertura e qualidade da internet representa um obstáculo a ser superado.

Em primeira análise, é válido destacar a acessibilidade ao conhecimento a partir da educação a distância como uma importante função democratizadora, principalmente se levar-se em consideração o fato de que a extensão territorial brasileira apresenta proporções continentais que refletem na desigualdade em determinadas regiões que não contém estruturas educacionais adequadas. Além disso, o dinamismo presente nas plataformas virtuais, por meio de ferramentas audiovisuais como vídeos, músicas e pesquisas, apresenta outra perspectiva dessa maneira educacional, correspondente ao conceito de multimodalidade desenvolvido pelo filósofo contemporâneo Pierre Lévy, em sua obra “A Cibercultura”.

Em segunda análise, é importante mencionar que, por meio de uma nota oficial lançada em 2011, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou a inclusão digital como o direito humano do século XXI. Portanto, observa-se que educação não presencial deveria apresentar apenas suas competências positivas, se considerado o acesso igualitário. No entanto, a desigualdade e a exclusão social são refletidas na restrição digital e na limitação tecnológica quanto a cobertura e qualidade, visto que o acesso à internet segura não é proporcionado a todos os brasileiros, de modo a afetar tanto discentes quanto docentes, que, por vezes, não têm domínio das ferramentas digitais necessárias para o bom aproveitamento da modalidade remota de ensino.

Sendo assim, diante dos fatos mencionados, torna-se evidente o indispensável aprimoramento da educação não presencial brasileira. Dessa forma, é fundamental que o Governo Federal, por meio do Ministério da Ciência e Tecnologia, juntamente com as grandes operadoras de serviços de internet, desenvolva projetos de barateamento de pacotes em todas as regiões brasileiras, para que a coletividade online seja exercida e, refletidamente, as oportunidades oferecidas pela educação à distância no Brasil sejam aproveitadas e acessíveis a todos.