Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 12/07/2020

O livro “O Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas do Brasil contemporâneo. Nessa perspectiva, é possível entender que o ensino a distância é uma problemática existente na sociedade. Então, esse cenário ocorre não só pela exclusão digital, mas também pela falta de acessibilidade. Assim o entrave vem silenciosamente afetando a população e precisa de reflexão urgente.

Primeiramente, é necessário ressaltar que a posse de dispositivos eletrônicos não é uma realidade ao alcance de todos os cidadãos. Isso ocorre, principalmente, devido à desigualdade social presente no país. Logo, há uma má distribuição de renda que impacta diretamente na possibilidade das pessoas comprarem computadores ou smartphones, aparelhos essenciais para assistir as aulas on-line. Segundo o filósofo Pierre Lévy, toda tecnologia gera excluídos, especiamente, em sociedades nas quais as disparidades financeiras são tão intensas. Dessa forma, é substancial a mudança desse quadro.

Em segundo lugar, a falta de acesso à internet constitui outro fator agravante à situação em discussão. Nesse viés, é preciso entender que, para que as salas de aula virtuais aconteçam, a disponibilidade de conexão com esse recurso é fundamental, pois muitos cursos são ofertados em plataformas de ensino conectadas à rede. Sendo assim, sem acesso à internet, fica complicado executar esse tipo de capacitação.

Em suma, o problema ainda existe e necessita de solução. Deste modo, cabe ao Governo, tornar o preço dos produtos eletrônicos -em especial os necessários à educação a distância- mais acessível para a população pobre, por meio da redução do IPI (Imposto sobre os Produtos Industrializados), com o objetivo de auxiliar as classes mais baixas a adquirir as ferramentas necessárias para prática das aulas virtuais. Portanto, poder-se-á atenuar a realidade retratada por Dimenstein em sua obra “O Cidadão de Papel”.