Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 20/07/2020

A cibercultura é marcada pelas tecnologias atuais, promovendo ampliação do conhecimento, universalização midiática  e gera mudanças de hábitos constantemente na sociedade, conforme abordado no livro “Cyberculture” escrito pelo francês Pierre Lévy. Afirma que a comunicação da sociedade pode ocorrer através das redes de computação, dispensando o contato físico entre os comunicantes.

No panorama atual pandêmico está sendo indispensável a utilização de recursos virtuais para trabalho de home-office, atividades de graduações, ensino médio, fundamental e até mesmo no infantil.  Em análise teórica, a educação a distância - EAD - é benéfica proporcionando maior flexibilidade nos horários, comodidade e conforto na realização das tarefas, uma vez que permite realizar dentro da própria residência ou em qualquer ambiente que julgue possível a execução. Além da inclusão social de pessoas que localizam-se em lugares distantes a redes de ensino, consequentemente economizando no deslocamento. Por outro lado, a implementação dessa ferramenta de forma emergencial gerou despreparo dos discentes e docentes em lidar com a liberdade e adaptar-se ao novo.

Segundo Pierre Lévy, toda tecnologia gera seus excluídos, tendo em vista que a educação brasileira possui dificuldades crônicas anterior a pandemia, agora as estatísticas de exclusão digital evidenciaram-se, cerca de 30% da população brasileira não está conectada, pesquisa realizada pela TIC - Tecnologias da Informação e Comunicação -. A maior parte dos estudantes não possuem acesso a internet ou até mesmo recursos, muitas vezes inadequados ou inexistentes para conectar-se. Ainda podemos mencionar a dificuldades financeiras encontradas para arcar com o custo desses meios de comunicação, visto que as cargas tributárias brasileiras são elevadíssimas.

Torna-se evidente, portanto, a exclusão digital brasileira. Para combate-la é preciso que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações - MCTIC - promova juntamente as operadoras de internet do país, pontos de conectividade gratuitos em locais públicos, como por exemplo praças e parques, principalmente nas localidades menos atendidas com o fornecimento desse serviço. Além disso, é necessária a alfabetização digital da sociedade antes da aplicação do EAD, sendo realizada pelo Ministério da Educação, por meio de cursos via web, mas também presencialmente nas escolas e  visando as pessoas que são atingidas por essa exclusão. Dessa forma, os benefícios proporcionados pelo EAD serão igualitários na sociedade e seguindo os parametros da Organização das Nações Unidas (ONU), a qual afirma que o acesso à internet é um direito humano.