Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 16/07/2020
Em meados do século XX, surgiram os primeiros indícios da modalidade de ensino a distância no Brasil, antes realizado através de correspondências. Desde então, tal modelo educacional segue alastrando-se continuamente, viabilizando uma maior flexibilidade na instrução dos indivíduos. Entretanto, hodierno à cena brasileira, fatores limitantes a essa categoria permanecem vivos, sendo válido a análise de aspectos como a falta de inclusão digital, e o preconceito em relação as modalidades EaD (Educação a Distância).
Em primeiro lugar, é valido salientar que, a escassez do acesso à internet e a outros recursos científicos são realidade para uma parcela significativa da sociedade. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 26% da população brasileira é restrita a tal mecanismo - o que contabiliza mais de 46 milhões de pessoas - e que, a renda média mensal de 60% dos trabalhadores brasileiros é menor que um salário mínimo, em vista de que as despesas com tais mecanismos tecnológicos representam, pelo menos, 13% dessa remuneração, o que sujeita essas classes a exclusão digital, e consequentemente gera um déficit educacional impactante.
Outrossim, o preconceito relacionado às modalidades do ensino a distância abrangem diversas esferas educacionais, bem como suas decorrências no mercado de trabalho mediante a desvalorização atribuída aos diplomas a distância, devido a maior limitação nas atividades práticas, necessárias para uma profissionalização qualificada - exemplo disso, é tal modalidade ser restrita em cursos como odontologia - o que evidencia uma “qualidade contestável’ do ensino. Paralelo a isso, a relação entre professores e alunos são de vital importância para o processo de ensino-aprendizagem, pois fornecem maior receptividade ao estudante, contribuindo também, para melhor relação social no ambiente de trabalho - aspectos esses que são limitados a curtas monitorias através das telas digitais.
Destarte, fica evidente, portanto, que a democratização da educação por meio do ensino a distância é um desafio devido a discrepância e a polarização. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com a Seção de Educação a Distância (SEEAD), promover melhorias no acesso a plataformas destinadas à Educação a Distância (EaD), através da fiscalização dos cursos oferecidos. Assim como, deve incentivar à aquisição de recursos tecnológicos, por meio de auxílios digitais entre as regiões centrais e periféricas das cidades. Ademais, o Governo Federal com o apoio do próprio Ministério da Educação, através de políticas públicas, deve promover o incentivo à aquisição de tais ferramentas, por meio de propagandas e reduções de impostos. Atingindo assim, a equidade e o equilíbrio, ao viabilizar a maior formação de profissionais e a inclusão de diversos indivíduos no sistema a distância.