Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 19/07/2020

A Organização das Nações Unidas (ONU), em 2014, declarou que o acesso à internet é um direito humano do século XXI. No entanto, na prática, tal garantia é deturpada, visto que o contato com o ensino a distância (EAD), no Brasil - por meio da internet - não se encontra efetivado na sociedade nacional, dificultando a nova estratégia do EAD. Esse cenário nefasto ocorre não somente em razão da elevada desigualdade social, como também devido à falta de domínio tecnológico. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura, com o intuito de mitigar os entraves para a consolidação dos direitos dos cidadãos.

Em primeira análise, vale destacar que, o EAD trata-se de uma nova modalidade de ensino que visa uma maior flexibilização do tempo, buscando minimizar o período gasto por alunos e professores para chegar até a instituição aonde ocorreriam as aulas. Entretanto, cerca de 30% da população brasileira não possui acesso à internet, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse modo, torna-se relevante questionar-se como um ensino, que tem como base a tecnologia, seria igualitário a todos os alunos, e até mesmo professores, se estes deparam-se com dificuldades ao adquirir um acesso a rede de qualidade que supra as necessidades que esse novo método exige.

Em segundo plano, pode-se inferir que, consoante ao filósofo Pierre Levy, toda nova tecnologia cria seus excluídos. De certo modo, pode-se dizer que Pierre estava certo, posto que essa nova ferramenta oferece inúmeras facilidades no momento de execução das tarefas propostas, a falta de domínio tecnológico por parte dos alunos e profissionais da área da educação, os tornam excluídos nesse âmbito educacional. Por conseguinte, não é relevante apenas oferecer inúmeras ferramentas que agilizem e melhore o ensino, se as pessoas que irão utilizá-las não possuem conhecimentos mínimos para manuseá-los de maneira correta.

Portanto, torna-se imprescindível a necessidade de transformar o ensino a distância em uma ferramenta acessível e igualitária a todos os indivíduos. Para tanto, urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação, em parceria com o Ministério da Educação, promova palestras de capacitação para professores e alunos se adaptarem a essa nova ferramenta digital, com o objetivo de mitigar os impasses relacionados a falta de domínio tecnológico enfrentados por parte da população que dependem da mesma. Assim sendo, a população poderá gozar da plena cidadania que lhes é garantia a fim de que a expansão desse novo método de ensino possa tornar-se ainda mais eficiente e capaz de atender a todos os alunos que optarem ou que forem submetidos ao supracitado. Dessa forma, o pensamento de Pierre Levy poderá dar lugar a uma realidade brasileira mais justa e igualitária.