Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 19/07/2020
Dinheiro acima de tudo, educação de qualidade para poucos.
A Revolução Técnico-Científico-Informacional tornou a utilização da internet e dispositivos digitais imprescindível em vários aspectos na vida dos brasileiros. A presença desses mecanismos está se tornando cada vez maior no meio educacional, materializando-se na forma de Educação à Distância (EAD), todavia há uma discussão sobre o desempenho dessa modalidade. Assim, urge a necessidade da exploração acerca das principais causas desse impasse: a socialização desenvolvida na escola e a mercantilização da educação.
Em primeiro plano, deve-se destacar que a escola é uma importante agente de socialização, principalmente nos primeiros anos escolares, posto que nesse ambiente os alunos interagem com indivíduos e culturas diferentes das vivenciadas nos núcleos familiares, o que possibilita o desenvolvimento de habilidades e competências-determinadas pela Base Nacional Curricular-cognitivas, sociais e emocionais fundamentais para formação do sujeito. De certo, essa forma de ensino não abrange essas exigências, consequentemente alunos que estudam dessa forma não adquirem essas características necessárias para seu desenvolvimento humano e acadêmico.
Ademais, precisa-se evidenciar que a EAD contribui para a mercantilização da educação, visto que, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 19 das 20 maiores Instituições que promovem essa categoria educacional são privadas. Nesse processo, a massificação da educação se torna essencial para gerar lucro, entretanto a oferta de ensino é de qualidade duvidosa provendo o que Paulo Freire denomina “educação bancária”, a qual consiste na transmissão do conhecimento sem reflexão crítica. Logo, constata-se que a precarização do ensino oferecido por essa modalidade forma profissionais alienados, opondo-se a ilusão liberal de que existe democratização por meio dela.
Destarte, torna-se essencial que o Senado-poder legislativo- faça uma revisão na legislação da EAD, proibindo essa forma educacional para todo Ensino Básico e exigindo uma certa carga horária presencial no Ensino Superior, com objetivo de evitar a mercantilização, garantir a qualidade, desenvolvimento das competências e habilidades. Apenas dessa maneira, a educação brasileira poderá acompanhar as inovações e manter a qualidade para todos os cidadãos.