Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 16/07/2020
No período Joanino, século XIX, as escolas baseadas nos princípios iluministas e franceses ganharam destaque no cenário brasileiro. Contudo, na contemporaneidade, o acesso à educação é desenvolvido de maneira mais complexa e complementada, sendo necessário a criação de sistemas específicos para cada situação. Um exemplo dessa acessibilidade é o Ensino a Distância que, embora seja prático, é, muitas vezes, defasado e entregue a uma parcela restrita da população. Sendo assim, é necessário analisar as raízes socioculturais acerca desse problema.
Em primeiro plano, é válido analisar sob a ótica do educador Paulo Freire, o qual alega que cada ensino deve ser feito de maneira individual e atenta às necessidades de cada aluno. À luz desse debate, pode-se inferir que o EAD flexibiliza o conteúdo de acordo com as exigências dos estudantes em relação a cronogramas e aulas fornecidas. Além disso, a educação remota é favorável as minorias, bem como os que buscam otimizar o tempo. Todavia, tais aspectos não corroboram opções no Brasil, mas sim alternativas, já que boa parte das camadas populares não possuem os mecanismos necessários para adentrar a esse novo método de ensino, como locais favoráveis, a democratização à internet e o conteúdo de qualidade disponibilizado pelas plataformas.
Paralelo a essa perspectiva, é notório que a infraestrutura das localidades mais periféricas influencia diretamente o acesso à internet, uma vez que não há bases sólidas para a instalação dos recursos. De acordo com a Pnad (Pesquisa nacional por Amostra Domiciliar), em 2016, cerca de 21,6% dos lares do Brasil - em especial as comunidades - não possuíam acesso à internet. Outrossim, as plataformas distribuem as temáticas de formas fragmentadas, não repassando as matérias com o mesmo vigor da grade curricular presencial. É fato também que, segundo Sócrates, o contato e o diálogo são peças chaves para um conhecimento pleno. Conclui-se, portanto, que a formação pessoal é afetada tanto quanto a intelectual.
Diante dos expostos, medidas são necessárias para minimizar o impasse. Logo, cabe ao Governo Federal, em conjunto com o IBGE, a tarefa de mapear as áreas em que não há acesso à internet, para desenvolvimento de projetos, por meio de incentivos fiscais para as empresas de barateamento de pacotes de dados, à vista de expandir a ferramenta à todas as áreas. Ademais, compete ao MEC, o dever de impor um padrão de qualidade mínimo para as grades curriculares do EAD, por intermédio de cursos preparatórios disponibilizados aos professores - em horários à parte das horas comerciais -, com o fito de capacitar os profissionais e oferecer aos alunos todo o conhecimento necessário. Assim, espera-se que os ideais iluministas sejam acolhidos por todos as plataformas de educação.