Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 17/07/2020

Em 1970, a educação a distância adquiriu um grande suporte televisivo com o projeto SACI (Sistema Avançado de Comunicações Interdisciplinares), responsável por transmitir aulas e entretenimento de caráter estudantil via satélite, objetivando estabelecer uma democratização educacional no mundo. No entanto, percebe-se que o ideal de aulas a distância com qualidade e eficiência está distante da realidade de um período marcado por uma pandemia, já que o novo coronavírus provocou a paralisação de aulas presenciais ao redor do globo. Nessa conjuntura, o Brasil hodierno vive uma crise para assegurar uma educação a distância democrática em seu território, uma vez que o não acesso à internet e a falta de investimentos em recursos pedagógicos são as principais causas desse impasse.

Em primeiro lugar, é sabido que a problemática do acesso à internet tem se tornado uma questão em pauta no país. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), aproximadamente 46 milhões de brasileiros não possuem internet residencial. Esse dado evidencia o despreparo estatal para garantir uma educação de qualidade para todos os cidadãos, visto que as circunstâncias dos tempos da COVID-19 configura uma crise no estabelecimento de aulas presenciais. Desse modo, torna-se perceptível que a precariedade de materiais educativos fora do mundo virtual agrava os entraves para a democratização do ensino no Brasil.

Paralelamente, o filósofo Jeremy Bentham defende, a partir da ética utilitarista, que as ações sociais devem ser pautadas no caráter pluralista, com o intuito de promover o benefício da maior quantidade possível de cidadãos. Entretanto, ao analisar a condição de muitos estudantes, verifica-se a não efetivação desse pressuposto no Brasil, visto que a falta de investimentos em recursos pedagógicos — como a disponibilização de livros gratuitos e aulas em TV aberta — é um dos principais fatores responsáveis pela desorganização no sistema educacional brasileiro. Nesse contexto, nota-se que as instituições de educação pública abdicam de suas principais responsabilidades para concentrar desmotivação e traumas emocionais nos estudantes.

Portanto, é mister que o Ministério da Educação crie políticas de democratização do ensino capazes de especificar a importância da educação em momentos de pandemia, por meio de campanhas publicitárias e aulas diárias com professores capacitados no rádio e na TV aberta em horário nobre, para que os alunos possam refletir sobre as questões essenciais e obrigatórias no ensino público brasileiro. Ademais, compete ao Governo Federal investir na disponibilização de livros, por intermédio de verbas financeiras, para que haja um processo harmônico entre os estudantes e as instituições públicas. Dessa forma, será possível constituir uma realidade próxima ao projeto SACI no Brasil.

— como a disponibilização de livros gratuitos e aulas em TV aberta —