Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 18/07/2020
É notório que a educação a distância é um importante meio de aprendizado, capaz de facilitar a vida de muitos estudantes, assim como permitir acessibilidade na educação. No entanto, ao refletir sobre a atual conjuntura de acesso a internet no Brasil, assim como a qualidade de conexão brasileira, levando ainda em consideração a falta de eletrônicos na população, é possível perceber que o EAD atinge facilmente a classe alta, mas se esquece completamente da classe baixa e, de parte, da classe média que constitui cerca de 73% e 24% da população respectivamente, segundo o IBGE. Levando isso em consideração, o EAD pode ser um ótimo facilitador e um bom meio acessível de aprendizado, mas isso só se aplica a uma parte mínima da população, o que gera uma falha na inclusão daqueles que realmente necessitam.
Um dos motivos preocupantes, é o alto custo do serviço, que leva muitas famílias a optarem por não o adotar. Segundo o IBGE, na média nacional 29,6% da população não possui acesso a internet, por esse motivo. Outro fator importante, é o acesso precário a eletrônicos; segundo uma pesquisa feita por Bernardo Sorj e Luís Eduardo Guedes, apenas 9% dos domicílios em favelas possuem computadores. Isto é, causados pelo nível discrepante de renda e escolaridade, a exclusão digital apenas impacta negativamente a distribuição de riqueza e oportunidades da população sem acesso.
Por consequência, uma enorme porcentagem populacional perde o acesso a educação, assim como a meios importantes de aprendizado como o EAD. Ou seja, pela falta de inclusão, e esforço governamental de criar políticas inclusivas às pessoas sem acesso a internet e eletrônicos, elas não recebem as mesmas oportunidades que uma parcela rica. O que gera, a um longo prazo, uma discrepância cada vez maior da desigualdade social no Brasil. Isto é, a exclusão socio-econômica, gera exclusão digital, e vice versa.
Dessa forma, faz-se necessário que o ministério da educação, se responsabilize por construir Lan-Houses públicas em larga escala, com conexão de internet pública de qualidade, assim como eletrônicos disponíveis a qualquer serviço. Com cadastros que comprovam o acesso, apenas àqueles que não possuem nenhum dos meios citados anteriormente. Dessa forma, tornar possível que um grande contingente da população, que não possui internet, computadores ou celulares, tenha o acesso que tanto merecem. Além disso, o ministério da educação também devia disponibilizar palestras, em todas as escolas, sobre a importância da preservação dos equipamentos, assim como a consciência para a acessibilidade daqueles que não possuem nenhum meio digital de acesso a informação e a outras vantagens, permitindo que adolescentes desenvolvam uma consciência de cuidado e inclusão.