Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 19/07/2020

No filme “Escritores da Liberdade” a nova professora Erin, começa a lecionar para alunos de um bairro humilde, que sofrem com a desigualdade e o preconceito diário. Para que eles finalmente despertassem interesse nas aulas, ela desenvolve técnicas de ensino atípicas e atrativas. Fora da ficção, a realidade apresentada não é diferente, visto que, estudantes de regiões mais carentes não dispõem do acesso ao EAD - Ensino a Distância - em razão da escassez de internet, além disso, de acordo com um estudo realizado na China, quase 30% dos alunos não conseguem se concentrar nas aulas online devido aos distratores que existem em suas moradias.

Sobretudo, é necessário ressaltar que em primeiro momento, o EAD almejava -durante a pandemia- auxiliar os alunos nesse novo método de aprendizagem, entretanto, ele tornou-se um dos maiores paradigmas de desigualdade social, tendo em vista que aproximadamente 25% da população brasileira não tem acesso à internet, segundo o IBGE. Logo, essa forma de ensino exemplifica ainda mais a excludente situação de jovens que vivem à margem da linha da pobreza. Segundo o sociólogo Aristóteles, a pior forma de desigualdade é tentar fazer duas coisas diferentes, iguais. Ou seja, se os mesmos recursos não forem proporcionados para ambas situações, não é possível exigir resultados equivalentes.

Em suma, de acordo com a pesquisa realizada na China, aproximadamente 30% dos alunos não conseguem se concentrar em aulas online, visto que, nem sempre o ambiente de estudo está apropriado para aprender. Por exemplo, o celular é usado em horas inapropriadas frequentemente, além disso, a poluição sonora é um fato cotidiano e que impede a absorção do conteúdo escolar. De acordo com Maria Montessori, qualquer ajuda desnecessária é um obstáculo na aprendizagem, ou seja, mesmo que o Estado incentive o aluno a estudar online, de nada adiantará se esse conhecimento não for absorvido.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para dimunuir - e se possível extinguir, a limitação de acesso ao EAD. O Ministério da Educação em comunhão com o Ministério da Ciência e Tecnologia, deve promover a implementação de Wi-Fi público nas ruas de todas as regiões mais humildes, por meio de leis que ratifiquem a disponibilidade desse recurso tecnológico, além de uma fiscalização semanal sobre a eficácia dessa internet comunitária, por membros do governo de cada cidade. Ademais, deve-se realizar reuniões mensais entre educadores e familiares, para que seja desenvolvido técnicas de aprendizado que mantenham a atenção dos alunos nas aulas online, a fim de que o Brasil seja um país mais justo e igualitário, e crie jovens capacitados e incentivados para o mercado de trabalho.