Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 18/07/2020
Na obra “A cidade do Sol”, do escritor renascentista Tommaso Campanella, é retratada uma sociedade utópica, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, o descaso com a educação a distância no Brasil, contraria a idealização formulada pelo filósofo. Nessa perspectiva, esse cenário antagônico é fruto tanto da exclusão digital quanto da indisponibilidade do acesso a internet. Diante disso, o entrave permanece afetando grande parcela da população e exige uma reflexão imediata.
A priori, é importante destacar a carência da rede wireless em localidades brasileiras. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF – cerca de 4,8 milhões de crianças e adolescentes, na faixa de 9 a 17 anos, não tem acesso à internet em casa. Sob essa ótica, a falta de internet na residência corrobora para a precariedade da propagação das aulas online, de modo que a educação escolar passe a ser um privilégio e não um direito previsto na Constituição Federal. Logo, é substancial a mudança desse quadro.
Ademais, é fulcral reconhecer a exclusão de indivíduos do universo tecnológico. Segundo pesquisador em ciência da informação e da comunicação, Pierry Levy: ‘’toda nova tecnologia cria seus excluídos’’. Nesse prisma, percebe-se que o público de baixa renda não consegue adquirir os dispositivos e equipamentos adequados para o estudo online, devido ao elevado custo dos produtos. Com isso, o acesso à internet é monopolizado pela elite brasileira, acentuando a estratificação digital. Desse modo, é necessário a quebra dessa situação que prejudica a nação brasileira.
Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Assim, é de suma importância que o Governo Federal, em conjunto com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE - faça o mapeamento das áreas de ausência de internet, com o propósito de desenvolver projetos para ampliar o alcance da rede online, por intermédio de incentivos fiscais às empresas que oferecem esse serviço, para que toda a população brasileira possa usufruir do seu direito a educação, previsto no artigo 205 da constituição cidadã. Somente assim, notar-se-á a sociedade ideal e perfeita especificada na utopia de Campanella.