Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 31/07/2020
Em 2011, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o acesso a internet como um direito humano, dada a sua relevância em impulsionar a democratização do alcance à informação. No entanto, hodiernamente, é fato que o Brasil foge à tendência de real cumprimento do postulado, de forma que o preconceito aliado à exclusão digital corroboram para o não progresso social que a educação a distância possibilita.
Em primeiro plano, dada a diversificação que a internet oferece na aprendizagem-que extrapola a sala de aula tradicional, com a utilização de hiperlinks, vídeos e áudios, observa-se a tamanha importância da multimodalidade que a internet proporciona. Contudo, vale salientar que uma grande parcela de brasileiros não possuem acesso a internet- segundo dados da PNAD contínua, 30% da população do país carece desse recurso. Assim, concluí-se a transgressão do Estado ao contrato social de Thomas Hobbes, haja vista que a paz e a ordem, que a princípio deveriam ser garantidas, são ameaçadas com tal desigualdade.
Somado a isso, outro entrave que assola a disseminação do conhecimento “online” é o preconceito, que por sua vez, contraria a teoria da virtualização defendida por Pierre Lévy. Para o autor, o virtual não é o oposto do real, e sim uma continuação dele. Neste caso, alunos de áreas remotas não teriam seus estudos afetados em virtude da distância da sala física.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Diante disso, cabe ao Ministério da Ciência,Tecnologia,Inovações e comunicações (MCTIC)- mediante uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias- ampliar subsídios para compra de equipamentos e para planos de banda larga residenciais. Por conseguinte, busca-se aproveitar as potencialidades que o saber “online” proporciona para o desenvolvimento de uma sociedade mais igualitária e respaldada nos princípios da razão.