Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 21/07/2020

Desde a 3° Revolução Industrial, foi possível perceber um crescente avanço no desenvolvimento e no uso da tecnologia, entretanto, nem todos estão preparados e conseguem lidar com as modernidades. Um recente exemplo disso veio à tona com a pandemia do COVID-19, o cenário marcado pela necessidade de ficar em casa e pelo “home office” serviu para evidenciar alguns obstáculos com relação ao Ensino a Distância (EAD) - modalidade que deveria ser uma ótima opção para os alunos e professores. Devido a importância da educação, independente da maneira como é oferecida, é necessária a adoção de medidas que visem garantir a qualidade e facilitar o acesso ao conteúdo.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar os benefícios do EAD. No contexto atual, são claras as vantagens, já que evita a aglomeração, dá continuidade ao ano letivo e é uma maneira de manter uma parcela dos funcionário empregados. Porém, não se limita a essa realidade, numa situação sem pandemia o ensino remoto é uma excelente maneira de obter horários mais flexíveis, de economizar tempo e dinheiro com transporte, além de reduzir gastos com a mensalidade, que muitas vezes é mais acessível. Tudo isso auxilia na ampliação do acesso à educação, fator determinante para o surgimento de muitas oportunidades, por exemplo, com relação a emprego e à ascensão socioeconômica.

Contudo, os brasileiros ainda enfrentam dificuldades individuais e infraestruturais durante o uso da modalidade em questão. Nesse caos, muitos profissionais e alunos não possuem conhecimentos tecnológicos suficientes para lidarem com as plataformas e ferramentas necessárias, o que dificulta o acesso às aulas e pode resultar em desmotivação dos indivíduos. Associado à isso, devido a menor fiscalização do ensino oferecido na internet e a uma tendência de capitalização do EAD - consequência de uma alta procura, devido ao custo mais acessível-, muitas das instituições seguem uma vertente que o filósofo Paulo Freire chamou de Educação “Bancária”. Nesse modelo de ensino, os professores depositam o conhecimento aos estudantes, sem que o conteúdo seja transmitido de forma a desenvolver senso crítico,dessa forma o aprendizado é  limitado e não desperta o senso crítico.

Assim sendo, visando garantir o acesso, mesmo que a distância, à uma educação de qualidade, o Ministério da Educação deve aumentar as exigências com relação ao nível dos cursos - que devem ser oferecidos por profissionais qualificados, capazes a incentivarem o aluno sem, simplesmente, “depositarem” o conteúdo. Esse aumento deve ser feito por meio de provas, esporádicas e sem aviso prévio, que servirão como uma forma de fiscalização. Além disso, o Governo precisa oferecer capacitação aos brasileiros que enfrentam dificuldades com as tecnologias, disponibilizando cursos gratuitos e didáticos nos sites e plataformas do Governo Federal.