Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 26/07/2020

No século XX, a Revolução Técnico-Científica-Informacional culminou no advento da internet, com o objetivo de estabelecer conexões à longa distância. Nessa perspectiva, o mundo globalizado inovou o âmbito tecnológico, impactando na educação. Entretanto, o ensino a distância, no Brasil, sofre empecilhos no que diz respeito ao avanço da tecnologia, visto o contexto de desigualdade social vigente no país e falta de investimentos no setor. Deste modo, fazem-se necessárias medidas governamentais para combater a problemática no país.

À vista disso, infere-se que as disparidades sociais, constatadas pelo baixo Índice de Desenvolvimento Humano, inviabilizam o ensino virtual, visto que não há a democratização do acesso à internet no Brasil. Tal conjuntura é consoante ao “capital cultural” do filósofo francês Pierre Bourdieu, no qual a educação reproduz os contrastes da sociedade, ocasionando, assim, um descompasso educacional entre os indivíduos de diferentes estratos sociais. Desse modo, com a pandemia do coronavírus, na qual as escolas adaptaram-se ao modelo EAD, os estudantes de baixa renda são prejudicados, pois estes estão inseridos em um contexto desigual, haja vista a má distribuição de renda, impossibilitando o acesso aos meios digitais.

Outrossim, é válido mencionar os ínfimos capitais designados a educação virtual, os quais são contribuintes para o impasse. Sob esse viés, a carência de capital dificulta o desenvolvimento deste, seguindo este raciocínio, a perspectiva de Steve Jobs de que a tecnologia é capaz de mudar o mundo, não é concretizada, visto que o modelo de ensino EAD conta com uma estrutura precária e tem seu potencial de desenvolvimento tecnológico pouco explorado pelas empresas, sendo, assim, estas visam apenas o lucro, tornando-se, desse modo, uma “máquina de diplomas”. Assim sendo, o contexto apresentado não visa a melhor qualificação do aluno, para que, assim, sejam profissionais aptos a realizar suas funções.       Em síntese, é evidente a necessidade de medidas governamentais para conter o cenário apresentado. Sendo assim, é fulcral que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Economia, crie o programa “Estudando em Casa”, este deverá oferecer aparelhos tecnológicos aos discentes de baixa renda, por meio de parceria com empresas locais, com o intuito de democratizar o ensino a distância. Em adição, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, em conjunto com as escolas e faculdades que ofertam cursos virtuais, deve elaborar um projeto com a proposta de melhorar a estrutura desses cursos, a fim de formar profissionais capacitados. Dessa forma, será possível estabelecer-se conexões a longa distância, como propôs a Revolução Técnico-Científica-Informacional, do século XX.