Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 23/07/2020

Em fevereiro de 2020, foi detectado o primeiro caso de COVID-19 no país brasileiro, o qual se espalhou rapidamente na sociedade, devido o alto potencial de disseminação. Tais fatos fizeram com que o governo adotasse medidas de prevenção, como por exemplo o isolamento social, o que tornou a implementação do EaD a opção mais viável para os alunos de ensino regular. Contudo, é notório que  a grande maioria da população não tem acesso aos meios virtuais e muitos jovens encontram-se embarreirados para se adaptar a essas mudanças. Nesse sentido, é necessário analisar tal quadro, intrinsecamente ligados a aspectos econômicos e emocionais.

Sob esse viés, sabe-se que a tecnologia básica é inacessível para muitos cidadãos brasileiros. Nesse âmbito, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cada quatro pessoas uma não tem acesso à internet, o que totaliza cerca de 24% da população. Essa realidade torna-se evidente, já que há um descaso governamental em relação a esse direito fundamental, o qual é essencial para a Educação remota, especialmente nessa fase pandêmica em que o Brasil se apresenta. Com isso, nota-se a importância desse meio na sociedade contemporânea, visto que nessa situação é o único recurso para a inserção de todos no sistema educacional.  Por conseguinte, essa debilidade leva à perda de um ensino de qualidade.

Outrossim, observa-se nas estruturas sociais obstáculos para adaptações mais rápidas. Nessa perspectiva, de acordo com o pensador Zygmunt Bauman, em uma de suas frases, salientou que as crises não mudam o mundo e sim a reação do homem a elas. Sob tal ótica, percebe-se que o indivíduo tem dificuldade de se adequar as transformações sociais, devido ser algo distante da realidade de muitos, posto que grande parte dos brasileiros vivem marginalizados no que se refere a questão educacional, sobretudo aquela a distância. Desse modo, contribui-se para a perpetuação desse tipo de ação negativa na sociedade.

Portanto, para que haja uma melhoria nesse cenário de EaD, é imprescindível esforço coletivo entre as comunidades e o Estado. Nessa lógica, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Governo Federal, reforçar os direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal de 1988, por meio de políticas públicas, para que toda nação tenha acesso à internet. Em seguida, devem propor uma reeducação social, mediante a circulação de campanhas educacionais, em jornais, livros e palestras, com o intuito de promover uma melhor adaptação dos indivíduos nas mudanças e nas transformações.