Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 27/07/2020
No período conhecido como Antiguidade Clássica, na Roma Antiga, o acesso à educação era restrito às elites locais - conhecidos como patrícios. Analogamente ao mundo contemporâneo, nota-se que este cenário se perpetua, de modo que o Ensino a Distância (EAD) é um exemplo desse sistema antidemocrático e desigual de aprendizagem. Assim, é necessário que medidas sejam tomadas para mitigar a problemática, fruto da falta de acesso à internet pelos indivíduos e da ausência de aprofundamento no ensino, resultado dessa modalidade de educação.
Inicialmente, é válido ressaltar a necessidade de inclusão digital dos indivíduos que não detêm acesso à internet para o estudo. De acordo com o filósofo Imannuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Nessa óptica, o Estado, ao não proporcionar os recursos para uma educação democrática, contrapõe o filósofo, visto que, em um mundo digitalmente integrado, o acesso à internet é de suma relevância para a formação educacional dos indivíduos, rompendo barreiras geográficas e sociais que inibem a aprendizagem. Desse modo, a falta de investimento em programas sociais de inserção digital exclui a possibilidade de ensino pelo corpo social marginalizado e carece de uma intervenção estatal.
Além disso, é importante mencionar a superficialidade do EAD no processo educacional dos indivíduos. De acordo com o filósofo Edgar Morin, a educação deve relacionar os saberes de modo a construir uma teia complexa de conhecimento. Nessa perspectiva, tem-se que, na contemporaneidade, com a forte presença da internet, o desenvolvimento de um ensino complexo e profundo como o proposto pelo filósofo é comprometido, uma vez que o imediatismo e a instantaneidade proporcionada pelas novas tecnologias de informação se sobressaem em detrimento da qualidade de aprendizagem. Logo, há uma inadimplência constitucional no que tange ao direito à educação, assim como a perda da autonomia e do senso crítico dos indivíduos.
Portanto, é de suma importância que medidas sejam tomadas para mitigar essa conjuntura. Para tal, o Ministério da Educação (MEC) deve, por intermédio de capital estatal, construir centros públicos de educação digital, a fim de torná-la acessível e completa para os indivíduos. Esses centros devem ser locais físicos com acesso à internet e aos devidos recursos para um efetivo ensino cibernético – como acompanhamento de professores e tutores capacitados-, de tal modo que o devido aprofundamento fosse promovido no processo educacional. Por conseguinte, o ensino de qualidade se tornaria democrático e interligado, impedindo que o cenário da Roma Antiga seja vigente na sociedade atual.