Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 01/08/2020
O geógrafo Milton Santos, em sua obra ‘‘Por outra globalização’’, propõe uma globalização mais humana e democrática, tendo em vista que tal fenômeno global é caracterizado como perverso, já que os benefícios do mundo globalizado não é usufruído por todos, fomentando, assim, a desigualdade. Isso se relaciona com o Ensino a Distância (EaD), haja vista que uma fração da população não possui o acesso a esse recurso. Logo, cabe debater as perspectivas e os desafios da educação virtual no Brasil.
Primordialmente, observa-se que as aulas remotas tornam a aprendizagem mais flexível. Isso se deve pela possibilidade da visualização dos conteúdos em quaisquer horários, sem que haja necessidade de deslocamento, o que facilita significativamente a vida dos internautas. Nesse viés, o filósofo contemporâneo Zymunt Bauman, em sua célebre obra ‘‘Modernidade líquida’’, afirma que a sociedade hodierna é marcada pelo imediatismo. Nessa linha de pensamento, fica evidente que o uso de plataformas educacionais online tornam o ensino consideravelmente mais flexível, já que possibilitam uma aprendizagem imediata e facilitada.
Em contraste, é de suma importância verificar que o EaD fomenta as desigualdades presentes na sociedade. Nesse panorama, o filósofo francês Pierre Lévy considera que toda nova tecnologia gera seus excluídos. Sob esse raciocínio, é notório que uma parcela da população - o qual não usufrui do meio digital - é restrita dos benefícios que a educação a distância oferece. Isso se explica não só pela indisponibilidade de internet em todo o território brasileiro, como também pelo baixo poder aquisitivo de grupos sociais mais pobres. Sendo assim, é inquestionável que a limitação do acesso à essa ferramenta por uma parte da população só reafirma a ideia da perversidade da globalização feita por Milton Santos.
Não resta dúvidas, portanto, que o Ensino a Distância enfrenta desafios a serem combatidos. Urge, então, que o Estado, na imagem do Ministério da Tecnologia, forneça roteadores coletivos, de cunho gratuito, em interiores e cidades pequenas, por intermédio de funcionários públicos que irã realizar a instalação dessas ferramentas. Ademais, as famílias que desfrutarão desse benefício terão que ter, obrigatoriamente, uma renda per capita igual ou inferior a 1,5 salário mínimo, com o fito de permitir que tais comunidades tenham o pleno acesso à essa modalidade de ensino. Somente dessa forma, a globalização se tornará mais democrática, como idealizado por Milton Santos.