Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 07/08/2020

Com a pandemia do Novo Coronavírus em 2020, o ensino a distância (EAD) ganhou notoriedade e foi difundido em todo o mundo. O que já era uma modalidade de estudo tornou-se algo indispensável para o aprendizado de quase todos. Todavia, embora muitas sejam as facilidades trazidas pela tecnologia, a aquisição de tais inovações não acontece de forma democrática, impedindo à sociedade como um todo de usufruir de um diferente método de ensino que, pedagogicamente, pode ser benéfico para muitos.

Em primeira análise, é necessário relacionar o EAD com o processo educacional descrito por Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia da Autonomia”. O patrono da educação brasileira, em seus escritos, defende uma relação educacional que aconteça de modo flexível e horizontal, isto é, que ceda autonomia para os alunos, que devem ter uma relação nivelada a do corpo docente. De forma equiparada, o ensino remoto cede aos alunos um flexibilização de horário e um ritmo dinâmico adaptado para esses. Sob essa ótica, o método não presencial permite a inovação durante o aprendizado, acontecendo de forma semelhante ao que foi proposto por Freire e de forma favorável para aqueles que usufruem.

Contudo, é indubitável o quanto a exclusão digital afeta no acesso de estudantes à tal metodologia. Acerca dessa premissa, é importante ressaltar que estudantes brasileiros -principalmente das regiões Norte e Nordeste- não tem acesso à internet de qualidade, impossibilitando o uso do ensino remoto. Assim como divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nas regiões citadas cerca de 14% da população não tem acesso a internet. Além disso, o custo de aparelhos para a conexão é inviável para grande parte dos brasileiros.

Portanto, conclui-se que os problemas relacionados ao EAD estão intrinsecamente relacionados à precária democratização dos meios tecnológicos. Todavia, medidas governamentais podem ser tomadas para reverter esse cenário. Posto isso, cabe ao Estado, por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, investir em projetos públicos para reduzir o imposto cobrado sobre aparelhos tecnológicos e avançar com projetos já vigentes de internet popular, principalmente em áreas excluídas digitalmente. Tudo isso, a fim de democratizar o acesso à internet, e principalmente, ao ensino a distância. Desse modo, mais pessoas terão alcance a uma educação inovadora, como previsto por Freire.