Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 16/08/2020
A educação à distância (EAD) existe a muito tempo, no entanto, ao longo dos anos, adaptou-se às tecnologias disponíveis para a sua realização. Assim, foi praticada por meio das cartas, do rádio, da T.V. e, na contemporaneidade, é realizada predominantemente com o auxílio da internet. No Brasil, não é diferente e essa modalidade de ensino apresenta perspectivas de aumento devido às facilidades em comparação à educação presencial. Contudo, o acesso a computadores com internet ainda é restrito no país, o que representa um desafio para o avanço da EAD.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, graças ao baixo custo e à flexibilização de horários, a educação à distância está em crescimento no país. Prova disso é o resultado do censo realizado pelo INEP, segundo o qual as matrículas em cursos EAD têm aumentado mais de 5% ao ano, enquanto a busca por cursos presenciais tem diminuído. Essa situação se tornou ainda mais discrepante por causa da pandemia do coronavírus que obrigou estudantes e instituições de ensino a se adequarem à educação remota a fim de tornar possível o cumprimento do necessário distanciamento social. Dessa maneira, nota-se que o avanço da EAD é uma realidade necessária no Brasil.
Entretanto, apesar do crescimento dessa forma de educação no país, o ensino à distância ainda enfrenta desafios relacionados à acessibilidade. Isso porque, de acordo com a ONU, cerca de 40% dos brasileiros não têm acesso à computadores com internet. Esse índice tão elevado representa um sério problema para o país, pois, segundo o filósofo Pierre Lévy, as sociedades atuais são hiper conectadas e não ter a opção de ficar “on-line” é sinônimo de marginalização. Isso pode ser constatado ao se observar a quantidade de processos, como a própria inscrição no ENEM, que envolvem o uso da internet. Nesse sentido, percebe-se que é preciso investir em políticas que ampliem o acesso à internet para que o ensino remoto se torne uma opção para todos os brasileiros.
Portanto, levando-se em consideração os benefícios da educação à distância e sua necessidade no momento atual, o Ministério da Educação deve fomentar o desenvolvimento de empresas dessa categoria, bem como a adaptação de centros de ensino já existentes para oferecer essa modalidade educacional. Isso deve ser feito por meio da oferta de cursos à distância visando a formação de profissionais nessa área e da concessão de empréstimos para que eles possam se adaptar à nova realidade. Ademais, a fim de superar a dificuldade de acesso à internet enfrentada por quase metade dos brasileiros, o Ministério da Cidadania deve criar uma política nacional de ampliação do acesso à internet. Isso deve ser feito por meio da criação de centros públicos de distribuição de sinal “wi-fi” nas regiões mais pobres do país e da ampliação da entrega de “tablets” nas escolas da rede pública.