Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 21/08/2020

Com a pandemia do novo corona vírus em 2020 e a migração de todo ensino presencial para a modalidade EAD, a discussão sobre tal modalidade de ensino se espalhou por toda sociedade. Uma vez que, segundo o Ministério da Educação, o Brasil tem mais de 2 milhões de estudantes que se capacitam por meio da educação à distância, é mais do que necessário discutir quais as perspectivas e desafios da educação à distância no Brasil. Por isso, dois pontos são fundamentais nessa discussão: a educação à distância como forma de descentralização do conhecimento e o desafio de garantir a qualidade do ensino nessa modalidade.

É válido pontuar, primeiramente, que a educação a distância é uma excelente alternativa para democratizar o acesso à educação no Brasil. Baseando-se no pensamento do pedagogo Edgar Morin, o qual afirmou que a educação deve se dar de maneira transdisciplinar e por diversos meios para ser completa, percebe-se que a existência da modalidade de educação à distância elimina barreiras que são encontradas para o exercício da formação presencial, como deslocamento e altos custos, as quais impedem que a educação realmente seja completa e atinja todas as camadas da sociedade.

Faz-se necessário ressaltar, entretanto, que o maior desafio da educação à distância no Brasil é a garantia do oferecimento de uma formação de qualidade e equiparada ao ensino presencial. De acordo com um levantamento realizado pela Agência do Trabalho de São Paulo, cerca de 40% das empresas dão preferência a candidatos formados pelo sistema de ensino tradicional porque acreditam que candidatos formados por meio da educação à distância não são tão bem capacitados. Tal crença pode ser justificada pelos vários escândalos envolvendo pagamento às instituições ensino para aprovação de estudantes e o não oferecimento de cadeiras obrigatórias, por exemplo, o que faria o estudante da modalidade EAD realmente não ter a mesma preparação de alguém do ensino tradicional.

Fica clara, portanto, a necessidade de medidas que ampliem e garantam a boa qualidade do ensino à distância no Brasil. Por isso, as Secretarias de Educação dos estados, pela maior proximidade com a população, devem aumentar a oferta de vagas na modalidade EAD nos estados. Tal medida se dará pela ampliação da quantidade de campi das universidades estaduais e pela oferta de novos cursos aumentando, assim, o acesso da população à educação. Por outro lado, o MEC, por fiscalizar as instituições de ensino no país, deve aumentar a vigilância no que tange o cumprimento de todas as avaliações e cadeiras nos cursos de ensino à distância para que, assim, a formação de um aluno do ensino EAD não seja inferior à de um aluno do ensino tradicional. Com isso, a educação a distância terá seu papel fundamental como descentralizadora de conhecimentos exercido com qualidade no Brasil.