Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 27/08/2020

Com o início da pandemia do Covid-19, a população mundial vivência uma mudança de hábitos e costumes, devido ao isolamento social. Tal realidade afetou intensamente o âmbito educacional, o qual teve o modelo de educação tradicional transmutado para um model mais tecnológico e a distância. Entretanto, o ensino a distância no Brasil é dificultado quando o acesso à internet não é homogêneo no país, além de ser mais difícil impor uma disciplina e responsabilidade nos jovens alunos.

A princípio, é notório que o EAD, educação a distância, tem pouca efetividade, já que uma parcela da população não tem contato com o material necessário. Isso porque, segundo o sociólogo Sérgio Buarque em seu livro “Raízes do Brasil”, o escritor afirma que a população periférica é privada do acesso aos que muitos privilegiados economicamente têm, como a internet, isto é, ocorre uma segregação social elitista no Brasil. Sendo assim, evidencia-se a desigualdade social como motor para a não efetivação concreta do EAD, já que os estudantes pobres, periféricos e interioranos não têm assistência básica para aderir à educação via computador. Assim, nota-se tal segregação quando 33% da população brasileira, segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil, não dispõem da internet.

Convém pontuar, ainda, que surge uma falta de disciplina e responsabilidade durante o educação a distância, especialmente no ensino básico. Sob a óptica do filósofo Platão, o qual diz que “de todos os animais selvagens, o homem jovem é o mais difícil de doma”, ou seja, o jovem detém de uma complexidade, muitas vezes, difícil de lidar e guiar durante a sua formação. Com isso, o EAD adere mais uma dificuldade quando o estudante não tem uma figura de autoridade ao seu lado para disciplina-ló. Logo, é mais fácil ocorrer uma dispersão por parte do aluno, e ele desgarrar daquilo que tem como dever, a aprendizagem plena.

Portanto, a educação a distância enfrenta dificuldade para vincular-se no Brasil, já que o acesso à tecnologia é desigual e também a fácil dispersão dos alunos durante a aprendizagem. Assim, cabe ao Governo Federal, como organizador social, em parceria aos Governos Estaduais, distribuir a internet gratuita em localidades populares. Tal ação se concretizaria por meio da instalação de LanHouses, uma galeria que dispõem de computador e internet, de acesso público, fazendo com que a disponibilidade ao contato com ensino com uso da internet se ramificasse. Além disso, cabe às famílias, por ser uma instituição de suporte aos jovens membros, estimular os estudantes para adquirirem conhecimento durante o EAD, por intermédio de conversar e diálogos responsáveis e positivistas, ao unir-se com as escolas, disponibilizando debates e acesso à palestras de profissionais educacionais, como forma de conscientizar. Dessa forma, a educação a distância seria mais fácil de desenvolver-se no Brasil.