Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 27/08/2020
Com o advento da Revolução Técnico-Científico-Informacional, que entrou em vigor em meados do Século XX, as formas de interação humana mudaram profundamente. Nesse sentido, no âmbito educacional, a Educação a Distância (EAD) é uma modalidade que vem sendo amplamente discutida em escala nacional. Entretanto, ainda que uma alternativa promissora para o país, a EAD precisa ser imposta com claras diretrizes sobre como deve ser conduzida, para que não se firme de forma prejudicial. Afinal, como afirma o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos num período de “Modernidade Líquida”, e as novas formas de ensino devem ser adequadas, mas não limitadas, a essa realidade.
Primeiramente, as formas de aprendizado remoto permeiam a humanidade há séculos e evoluíram conforme os meios de comunicação: cartas, fitas cassete e, no momento atual, destaca-se a internet. Segundo o cientista social espanhol Manuel Castells, isso é positivo, uma vez que hodiernamente presenciamos um modelo de “sociedade em rede” que permite a descentralização do conhecimento. Segundo o autor, as figuras que democratizam a educação não precisam se restringir aos profissionais tradicionais, ampliando o leque de educadores. Além disso, sobre os alunos, mais pessoas podem ingressar nos cursos, devido ao valor mais acessível, de acordo com dados apontados pelo censo da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) em 2017. Assim, a capacitação profissional pode ser otimizada entre os cidadãos brasileiros que sofrem com altos índices de desemprego.
Todavia, é fundamental destacar que, ainda que o mundo on-line ofereça uma gama de novas possibilidades, há também contrapontos. A partir das teorias de Bauman, por exemplo, uma das aparente vantagens do “mundo líquido” é a possibilidade de desconectar-se quase instantaneamente. No sentido do ensino, entretanto, isso pode ser altamente prejudicial, uma vez que um aluno, diante de uma entrave ou falta de motivação, deve ser incentivado a persistir, não a deixar a plataforma de ensino. Logo, aqueles que optarem pela EAD devem ser encorajados a adquirirem uma postura resiliente e proativa, o que também será amplamente valorizado por possíveis futuros contratadores.
Deste modo, fica evidente que, no contexto brasileiro, o ensino remoto é um futuro promissor, mas deve ser desenvolvido criticamente. Nesse sentido, o Ministério da Educação (MEC) deve criar cursos de capacitação para os novos professores, para que possam ser instruídos sobre como administrar suas aulas a distância, buscando a otimização da educação aliada às ferramentas tecnológicas. Ademais, visando à democratização da educação, as prefeituras devem se articular ao MEC para distribuir notebooks para os alunos inscritos em cursos públicos on-line que não possam arcar com o custo dos mesmos. Assim, a “sociedade em rede” pode ser um grande aliada da educação brasileira.