Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 27/08/2020

No ano de 2020, o mundo passou pela pandemia avassaladora do COVID-19, vírus também conhecido como coronavírus. Devido a ele, a nação brasileira declarou estado de quarentena, de maneira que novos métodos de ensino precisaram ser explorados pelos professores. Entre eles, está a educação à distância (EaD), uma fórmula que encontra diversos desafios no país. Embora a EaD seja extremamente prática, nem todos têm acesso aos meios necessários para participar dela.

Primeiramente, é importante mencionar os pontos positivos de tal dispositivo. O Brasil possui um território de mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados e grande parte de sua população é concentrada no sudeste. Assim, as faculdades de maior prestígio estão, geralmente, instaladas nas metrópoles, como a Universidade de São Paulo (USP). Bárbara Emyle Camargo, estudante de Ciências Sociais na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), vem do nordeste de Minas Gerais e só se encontra com sua família uma vez por ano, devido à distância. Ela diz que esta é a parte mais difícil de estudar tão longe de casa: ficar longe dos familiares e conhecidos. A proposta da educação à distância é que alunos como Bárbara possam ter as mesmas aulas, com a mesma qualidade e validade, que teriam presencialmente, mas sem precisar se afastar de sua zona de conforto.

Entretanto, não é possível realizar um investimento nessa forma de ensino sem se preocupar com a acessibilidade. Um estudo realizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), em 2020, mostrou que apenas 60% do Brasil tem acesso a Banda Larga de internet fixa. Esse é um dado que explicita a desigualdade social, assim como mostra o longo caminho que a tecnologia precisa correr no país. Gabriel Grabowski, membro do Conselho Estadual de Educação (CEEd-RS), afirma que o contato entre professores e alunos é drasticamente reduzido sem uma internet de qualidade. Segundo ele, os educadores não têm mais a mesma facilidade em interpretar as expressões dos alunos, e com as falhas no áudio e no vídeo, o ensino fica extremamente comprometido. Assim, vê-se que a EaD não pode ocorrer sem a disponibilização cuidadosa dos recursos necessários.

Em conclusão, os centros educacionais devem incentivar esse método. Isso pode ser feito por meio da instauração de cursos online que proporcionam uma experiência completa para os alunos, com aulas ministradas por professores especializados em ensino não presencial. O objetivo é que pessoas que residem longe da faculdade ou da escola possam aprender em suas casas. Além disso, o governo Federal deve ampliar o acesso à internet por intermédio da criação de um fundo monetário voltado para isso. O dinheiro seria arrecadado por eventos beneficentes e destinado às famílias necessitadas, a fim de que possam participar adequadamente do projeto de educação à distância.