Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 28/08/2020

No ano de 1975, a TV Educativa foi fundada com a iniciativa de levar a educação, de forma gratuita, a todos os locais do Brasil. A emissora foi uma das primeiras dedicadas ao ensino remoto e contribuiu para democratizar a educação. Entretanto, existem impasses que impedem à ascensão completa dessa nova modalidade entre os indivíduos, relacionados à dificuldade do estudo autônomo e as desigualdades do país.

Vale ressaltar, primeiramente, que não há a cultura da autoaprendizagem no Brasil, ou seja, o costume de aprender sozinho é defasado. O sistema educacional, desde o Iluminismo, no século XVIII, é centrado na figura do professor, promovendo a dependência dos alunos de algum profissional que lhes ensine, incentive e direcione. No ensino a distância, a responsabilidade do aprendizado pertence ao estudante, que necessita desenvolver autonomia, disciplina e organização. Portanto, a ausência da cultura de autoaprendizagem gera desconforto à maioria dos estudantes, apresentando-se como um desafio da modalidade remota.

Outrossim, destaca-se que o Brasil é um país desigual em diversos aspectos, impactando diretamente na educação, principalmente EAD. Como essa forma de estudo exige aptidão à informática e outras habilidades digitais e cognitivas, a falta de base educacional e o nível socioeconômico afetam no aproveitamento dos conteúdos oferecidos via plataformas digitais. Além disso, segundo o PNAD, cerca de 20% dos lares brasileiros não possuem acesso à internet, ou seja, sem a conexão de rede e tecnologias, o ensino a distância se torna restrito a uma parcela privilegiada.

Diante dos fatos supracitados, são necessárias medidas para superar os desafios do ensino remoto. Cabe ao Ministério da Educação, em parceria ao Governo Federal, buscar alternativas para o uso das plataformas digitais e democratizar o acesso à internet pelos alunos. Portanto, é necessário que haja o cadastramento e controle dos alunos inscritos nos cursos disponíveis de forma remota e, posteriormente, disponibilizar o acesso à rede até a conclusão do estudo, de forma gratuita. Também é necessário a adaptação das plataformas digitais à função “offline”, para que os alunos possam acessar os conteúdos, em diversas circunstâncias. Por meio do destino de verbas adequado, proveniente dos impostos já arrecadados, os impasses serão superados.