Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 21/08/2020
No final da década de 1990, estreiou, na TV Globo, o Telecurso 2000, cujo objetivo era contribuir com o aprendizado de pessoas que não haviam concluído o ensino médio. Com a popularização da internet, o ensino a distância, apesar de ainda ter a mesma essência, mudou sua plataforma e ganhou uma enorme variedade de cursos e de público. Diante desse contexto, é imprescindível a análise das perspectivas e dos desafios desse método no Brasil, como o aumento da adesão e os questionamentos quanto à qualidade desses.
É válido ressaltar, primeiramente, que o ensino a distância (EAD) tem ganhado bastante adesão nos últimos anos, devido à grande praticidade oferecida aos alunos. Isso ocorre, pois essa metodologia permite que pessoas de lugares afastados ou de classes baixas possam ter acesso a um conteúdo diverso, haja vista a não necessidade de locomoção, bem como as menores mensalidades. Essa perspectiva associa-se ao conceito de sociedade em rede, do sociólogo espanhol Manuel Castells. Segundo ele, as relações contemporâneas, por serem estabelecidas por meio de redes, têm permitido uma descentralização de conhecimentos. Dessa forma, as grandes aldeias globais que a internet tem possibilitado, permite a transmissão e a aprendizagem de inúmeros assuntos.
Essa realidade, porém, tem levantado questionamentos acerca da qualidade de certos cursos. Tal fato ocorre, pois a promessa de preços baixos e de cursos rápidos podem trazer consigo um conteúdo superficial, com a formação de profissionais mal qualificados. Segundo o site G1, o número de matriculados na educação a distância já representava 21% do total do ensino superior do país, só em 2019. Essa conjuntura torna-se preocupante, tendo em vista a ausência de contato entre professor e aluno, bem como a ausência, muitas vezes, de aulas práticas, as quais permitem ao aluno a aplicação dos conteúdos aprendidos, o que é essencial para sua avaliação.
São necessárias, portanto, medidas que valorizem o EAD. Para isso, o Ministério da Educação deverá fiscalizar com maior rigidez os cursos disponíveis, tirando do ar aqueles que não possuírem conteúdo adequado. Isso ocorrerá por meio de grandes campanhas na internet, na qual serão divulgados rankings das empresas, a fim de que o estudante saiba a qualidade das plataformas que acessa e esse ramo possa crescer sem gerar danos ao discente. Dessa forma, o ensino a distância obterá total qualidade, tal como grande parte dos presenciais e será tão democratizado quanto o Telecurso 2000.