Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 21/08/2020

No ano de 2020, uma pandemia obrigou o fechamento de escolas e todas as instituições de ensino, o que tornou a educação dependente do uso da Educação a Distância (EAD). Contudo, devido ao pouco uso dessa via de ensino por maior parte da população, sua implementação foi demorada e turbulenta. Dessa forma, é válido discutir os desafios e as perspectivas relacionadas a essa forma de educação.

De acordo com a Constituição Federal de 1988, todos possuem direitos inalienáveis, dentre eles a esfera social prioriza dentre vários, o direito à educação; contudo, nem todos possuem acesso ao que é garantido nesse documento. Assim, como teorizado por Sérgio Buarque de Holanda, os segmentos minoritários do país não gozam plenamente de seus direitos sociais por não haver priorização desses indivíduos nas pautas sociais do Brasil; dessa forma, a população -geralmente a marginalizada- que não tem seu direito à educação concedido pelo Estado tem que recorrer a outras formas de obtenção de conhecimento, dentre elas ao EAD. Porém, devido à falta de investimento nesse eixo educacional ao longo dos anos, muitas vezes os alunos possuem dificuldades de adaptação, tanto pela falta de costume quanto pela qualidade de aula e plataformas.

Sob outro viés, a realidade atual do Brasil tornou esse meio de educação o único possível dentre os meses de quarentena, o que chamou atenção para o quanto deficitário essa situação se apresentava. Ademais, de acordo com Mahatma Gandhi, o futuro dependerá dos atos perpetuados no presente; dessa maneira, essa nova realidade somada com investimentos e aplicabilidades que começaram a ser realizadas pelo governo e meios educacionais privados levarão a uma qualidade e formato de EAD totalmente novo. Tal fato se refletirá na forma que esse meio de ensino continuará a funcionar após a volta das aulas presenciais.

Portanto, é necessário que o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos aumente os investimentos no setor de direitos sociais, de forma que a população tenha acesso a escolas e conhecimento de qualidade, não tendo que recorrer ao EAD como forma de ocupar uma lacuna deixada pelo Estado. Além disso, é importante que o Ministério da Educação disponibilize uma porcentagem de até 10% de sua verba para a manutenção de plataformas e meios de repercussão da educação via online, dessa forma, mesmo após o fim da pandemia e do uso obrigatório desse ensino por todos os alunos, as instituições sejam capazes e tenham a verba necessária para continuar a fornecer aulas onlines de qualidade, disponibilizando uma escolha ao aluno, se continuará no formato online ou retornará para o presencial.