Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 21/08/2020

Uma postura destituída de empatia perante o sofrimento alheio. Essa é a imagem presente no quadro “O grito”, do pintor Edvard Munch, pois, na elaboração dessa arte expressionista, veem-se, ao fundo da tela, personagens que  se mostram indiferentes à angústia evidenciada pela figura humana do plano central. Entretanto, essa cena não se limita ao âmbito artístico, já que as vítimas da falta de incentivo à Educação a Distância (EAD)  no Brasil vivem algo semelhante, tendo em vista que elas têm sido “esquecidas” por setores governamentais e sociais. Todavia, cabe analisar as perspectivas e desafios que envolvem essa questão no país.

Primeiramente, pontua-se que o Poder Público mostra um certa funcionalidade perante o incentivo à EAD. Isso porque há, por parte dos órgãos executivos, uma eficiência quanto ao processo de conscientização, uma vez que se tem formado, de maneira adequada, os novos professores a respeito da dinâmica de se lecionar pela internet, o que favorece a consolidação do direito à informação dos alunos. Sendo assim, nota-se que o governo tem garantido o bem-estar de todo o coletivo, evidenciando, dessa forma, a consolidação dos princípios fundamentais, alicerçados nos ideais iluministas do século XVIII em prol da democracia.

Em contrapartida, observa-se que o silenciamento social frente a falta de estímulo ao ensino a distância apresenta-se como um fator agravador desse quadro negativo. Contudo, parte da população tem demonstrado certa inércia diante desse cenário, por acreditar que são majoritários os segmentos políticos contrários ao investimento financeiro, posto que faltam verbas para a contratação de fiscais que avaliem a qualidade dos cursos com modalidade EAD, comprometendo, então, o preparo efetivo dos novos profissionais. Recorrendo aos estudos da cientista política Elisabeth Noelle-Neumann para explicar esse fenômeno, contata-se que, para evitarem conflitos com grupos dominantes, alguns indivíduos tendem a fortalecer uma “espiral do silêncio”, permitindo, assim, a manutenção de entraves.

Ressalta-se, portanto, que a educação a distância deve ser promovida. Logo, é necessário exigir do Estado, via debates em audiências públicas, a continuidade da conscientização, priorizando palestras educativas ministradas por especialistas da área, com o objetivo de fornecer instruções aos professores de como ensinar em EAD. Ademais, é essencial estimular a população, por intermédio de campanhas midiáticas produzidas por organizações não governamentais, sobre a importância de haver o engajamento coletivo para a ruptura de discursos dominantes, potencializando, assim, verbas para auxiliar na fiscalização da qualidade dos cursos ofertados pela internet. Desse modo, a indiferença ao sofrimento alheio poderia ficar restrita aos personagens da obra de Munch.