Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 22/08/2020

Como evidencia o geógrafo Milton Santos, a globalização pode ser perversa, isto é, ao limitar fluxo de pessoas, acentua desigualdades. Com ela, alguns indivíduos são beneficiados com o avanço da tecnologia, enquanto outros não têm acesso a tal mecanismo. Nessa perspectiva tecnológica, há o recente advento da EaD (Educação à Distância) no Brasil, que proporciona especialização e flexibilidade. Logo, é necessária uma maior participação do Estado para o aprimoramento, tornando-o igualitário, além da consolidação dessa modalidade pela qualidade do ensino.

A princípio, é preciso entender a educação como um direito constitucional que deve se adaptar às realidades tecnológicas para que todos tenham acesso. De acordo com o filósofo iluminista John Locke, o Estado deve fornecer a garantia de direitos básicos à sociedade, como educação. Diante desse dever, evidencia-se que a grande proporção territorial do Brasil, somada à má gestão de recursos públicos, faz com que certas áreas sejam impedidas do acesso à educação. Nesse cenário, o ensino à distância surge como uma alternativa para jovens que buscam uma graduação ou profissionalização, pois tal modalidade fornece flexibilidade de horário e financeira, contribuindo para uma maior democratização do ensino. Diante disso, convém a necessidade de ampliar politicas públicas voltadas à população de baixa renda, que garantam acesso à internet, para que o direito à educação seja igualitário.

Em segundo plano, a aceitação da população é de grande importância para a consolidação desse ensino. Com isso, segundo a teoria de “Habitus” do sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade incorpora as estruturas que são impostas à sua realidade e, por fim, as reproduz. A partir dessa perspectiva, percebe-se que somente tornando acessível e eficaz como entrada para o mercado de trabalho, o ensino remoto poderá se tornar crescente. Logo, cabe ao Estado investir na qualidade e democratização do sistema, para daí incentivar a educação distancial pela tecnologia.

Tendo em vista a atual realidade de crescimento da educação à distância, o Ministério da Educação deve aprimorar tal modalidade por meio do destinamento de maiores verbas às universidades, que devem ser investidas para a EaD, com plataformas digitais acessíveis, a fim de prestar um serviço de qualidade. Paralelamente, o Ministério da Economia, em parceria com empresas privadas, deve criar políticas de facilitação ao acesso à internet pela população de baixa renda, por meio de projetos como o “Bolsa Estudante”, possibilitando a obtenção de aparelhos como tablets, notebooks e a inclusão digital, para que se efetive a realidade do ensino remoto a todos os brasileiros.