Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 22/08/2020
Desde a revolução tecno-científica, ocorrida em meados do século XX, as relações trabalhísticas tornaram-se cada vez mais instantâneas e qualificadas, exigindo do cidadão uma maior capacitação. Nessa perspectiva, a educação a distância (EaD) entra em pauta no Brasil, tendo bastante repercussão, pois ao passo que oferece maior flexibilidade e comodidade ao estudante, ainda não é um mecanismo que toda população tem acesso.
Em primeira análise, conforme a Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES), o ritmo de crescimento da educação a distância no Brasil é maior que a do ensino presencial. Tal fato decorre da maior acessibilidade ofertada por essa modalidade, pois a flexibilidade no horário de estudo e a disponibilização de cursos por valores mais acessíveis torna esse modelo mais atrativo. Sob esse viés, o EaD promove a possibilidade de ampliação no processo de instrução e aprendizagem, favorecendo, ao menos no papel, uma maior inclusão social. Isso porque permite o acesso daqueles que têm dificuldades em ser inseridos na Educação Superior por residirem distante das universidades, por indisponibilidade de tempo ou até mesmo devido aos horários tradicionais de aula, o que demanda mais tempo do aluno em um curso presencial.
Em segunda análise, cabe salientar que, apesar das vantagens ofertadas pela educação a distância, a falta de acesso ou habilidade tecnológica e o preconceito que ainda persiste são desafios para o Ead no Brasil. Sob esse viés, consoante dados do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), cerca de 30% dos domicílios não têm acesso à internet, ou seja, grande parte da população ainda é excluída dessa modalidade de ensino. Além disso, a mentalidade de muitos brasileiros persiste que apenas o ensino presencial forma profissionais capacitados, entretanto, o diploma a distância tem o mesmo peso que um presencial, ou seja, é um prejulgamento totalmente errado e falso.
À luz dessas constatações acerca das perspectivas e desafios da educação a distância, portanto, cabe ao Ministério da Educação investir maior capital público nessa modalidade. Isso por intermédio de campanhas que incentivem as instituições educacionais a aderirem esse formato de ensino, além da maior disponibilização de verba para que esses institutos possam ter capacidade de oferecer uma aprendizagem de qualidade. Ademais, o Estado em parceria com as redes de internet devem criar um programa “acesso para todos”, que possibilite a inserção das pessoas mais carentes no meio tecnológico a um baixo custo, além de promover debates com profissionais formados no Ead, visando, dessa forma, desmistificar o preconceito e promover a democratização da educação.