Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 22/08/2020
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), adotada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1948, garante a todo cidadão o acesso à educação e vida digna. Dessa forma, diversas alternativas são oferecidas para assegurar tal direito, promovendo tanto a democratização do conhecimento, quanto oportunidades para quem possui limitações financeiras, temporais ou de locomoção. Assim, o Ensino a Distância (EaD) instaurou-se no Brasil e tem enfrentado desafios, tais como: a heterogeneidade do acesso à internet e a ausência de contato humano.
A priori, o processo de formação social brasileiro é pautado na desigualdade social e na mínima preocupação com pessoas marginalizadas, tendo políticas públicas representando interesses elitistas. Dessa forma, segundo a escritora Carolina Maria de Jesus na obra “O Quarto do Despejo”, o Brasiil é um país que deixa as pessoas mais pobres viverem em condições subumanas, sem poder gozar de fatores básicos de qualidade, como educação e moradia. Nessa lógica, apesas do Ead facilitar os métodos de aula e aprendizagem, uma vez que é de rápido e fácil acesso, ele segrega parte da população mais carente que não possui condições financeiras para ter internet e, um exemplo disso foi noticiado nos meios de comunicação, na qual mostrou a realidade do estudante Guilherme, de 10 anos que mora em Recife, em que ele foi flagrado utilizando o “tablet” de uma loja para fazer as atividades.
Em segunda análise, o ser humano nasce com a capacidade tanto de sociabilidade, a qual diz respeito a vida no meio social, quanto de socialização, que remete a incorporação de hábitos e costumes do grupo que participa. Nessa lógica, de acordo com o filósofo Michel Foucalt, o homem é um ser “biopsicossocial” que necessita ter esses três fatores -físico, psicológico e social- estimulados de forma harmônica para um desenvolvimento saudável. Logo, a educação a distância, por ser realizado muitas vezes em casa, sem a presença de professores e amigos pode interferir na esfera social do estudante, fazendo-o perder tais capacidades de convivência social, o que levar ao desenvolvimento de problemas psicológicos, como pânico social, ansiedade e depressão.
Em vista disso, para que tais desafios do Ead sejam reduzidos e as perspectivas de inclusão e democratização cumpridas, cabe ao Governo Federal, juntamente com empresas de tecnologia, realizar parcerias público-privadas, fazendo com que sejam distribuídos aparelhos eletrônicos com todas as aulas gravadas em vídeo, sem a necessidade de internet, visando primeiramente possibilitar de forma rápida o acesso e assim, minimizar os excluídos digitais. Somado a isso, o Ministério da Educação deve oferecer atendimento psicológico “online”, sendo realizado por psicólogos, psiquiatras e estudantes dessas áreas, para que assim o contato social prevaleça e todos gozem da DUDH.