Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 22/08/2020

Naturais de algumas espécies de morcego e, em 2019, migrando para humanos, o Sars cov-2, agente causador da pandemia do coronavírus, mudou toda a dinâmica social mundial em 2020 com alterações nos mais variados setores sociais, incluíndo a educação que passa a tornar a modalidade de ensino à distância (EAD) como principal forma de educação. Isso, no entanto, acabou por revelar os dois principais desafios desse método de ensino no Brasil: a desigualdade e a falta de investimentos.

A princípio, a matriz da questão é evidenciada ao analisar a desigualdade social como principal agente dificultante do EAD no Brasil. Isso se deve ao abismo social ainda não superado responsável por tornar a população de baixa renda cada vez mais marginalizada em vários setores da sociedade, como o acesso à tecnologia que se configura como uma ferramenta de extrema importância à integração nacional. Como prova disso, há a deficitária inclusão digital do país que é responsável por deixar sem acesso à internet cerca de 25% da população, segundo o IBGE. Esse número expressivo revela que falar em EAD no Brasil parece não fazer sentido quando se tem uma siginificativa parcela da sociedade sem acesso a um item básico como a internet.

Além disso, a realidade do ensino não presencial nacional é agravada pela falta de investimentos no setor. Isso é evidenciado na inevitável comparação com os métodos pedagógicos tradicionais que revela a carência da experiência educacional proporcionada ao estudante da modalidade digital que tem contato precário com seu campo de trabalho. Esse déficit prático é o resultado, na maioria dos casos, na falta de recursos investidos na modalidade que sofre com a falta de pesquisas e estruturas para práticas laboratoriais o que se torna uma realidade a maioria das universidades físicas as quais, segundo o MEC, são responsáveis pela arrecadação anual de cifras bilionárias para investimentos. Isso revela que o a prática digital de ensino no país ainda sofre com a falta de investimentos em estrutura.

Portanto, é preciso superar os obstáculos dessa importante ferramenta de ensino para o Brasil que é o EAD. Desse modo, cabe ao Estado realizar, de fato, a inclusão à internet no país por meio da criação de programas sociais que tornem o acesso a essa ferramenta gratuito para a população de baixa renda para, assim, tornar o ensino à distância como uma possibilidade a toda a população. Além disso, as instituições de ensino à distância devem realizar parcerias como o setor privado, oferecendo profissionais capacitados para as empresas em troca de investimentos em estrutura para, dessa forma, elevar o nível do EAD no país.