Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 22/08/2020

A Revolução Francesa caracterizou-se por um contexto histórico, ocorrido no século XVIII, no qual se observou a valorização da educação, por meio da implementação de um ensino público e gratuito obrigatório para todos. Nesse sentido, hoje, apesar do contexto francês de valorização, a educação brasileira encontra-se afetada, sobretudo a partir da pandemia do Covid-19, que culminou na implementação do ensino à distância em escala nacional. Dessa forma, os obstáculos da educação a distância são prejudiciais à formação do indivíduo e à manutenção da igualdade social.

Em primeira análise, deve-se salientar que o ambiente escolar garante uma maior rigidez e atenção durante as aulas. Esse fato é comprovado, quando se observa que o ambiente residencial encontra-se repleto de distrações, que tiram facilmente o foco dos estudantes, em razão de um enraizado sistema capitalista, que busca produtos com alta capacidade viciosa. Por conseguinte, nota-se uma ineficiência da educação remota, promovendo uma má formação escolar do indivíduo. Sob esse prisma, o filósofo Kant explicitava que o ser humano é fruto daquilo que a educação faz dele, o que contrasta com a vital necessidade de promover uma educação, embora que online, de qualidade.

Ademais, cabe discutir que a desigualdade social é intensificada pela temática. Isso é evidenciado, pois somente uma pequena parcela da população brasileira possui aparelhos tecnológicos com acesso à internet, que permitem o ensino à distância, em razão de uma sociedade, despreparada financeiramente, para arcar com um sistema de alto custo e um Estado incapaz de promover assistência. Por efeito, desenvolve-se um processo de elitização da educação brasileira, impedindo a ascensão socioeconômica das camadas menos favorecidas economicamente.

Torna-se evidente, portanto, que o ensino remoto é nocivo ao desenvolvimento humanitário brasileiro. Dessa forma, o Governo Federal, a partir da colaboração com instituições filantrópicas, deve elaborar assistência financeira aos jovens, de modo que seja possível a compra de aparelhos tecnológicos, capazes de permitir um estudo de qualidade, a fim de promover uma formação digna para todos brasileiros. Com isso, a partir dessa medida, poderá se assegurar uma educação pública de qualidade semelhante àquela idealizada na Revolução Francesa.