Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 27/08/2020

No contexto da Segunda Guerra Mundial, o matemático britânico Alan Turing criou o computador, no qual representou uma revolução no modo de integração e comunicação social. Desde então, esse dispositivo segue o fluxo da história, modernizou-se e atua hoje, inclusive, no âmbito educacional. Nesse sentido, no Brasil, a sociedade é instigada a debater sobre as perspectivas e desafios do ensino à distância no país. Assim, é lícito afirmar que o preconceito popular e a exclusão digital existente no país são problemáticas relevantes para o debate.

A princípio, cabe analisar a discriminação popular ,com o novo modo de ensino, sob a visão de “Virtualidade” do filósofo francês Pierre Lévy. Segundo o autor, o mundo virtual não é oposto ao real, e sim uma continuação mais acessível dele. Analogamente, parte da sociedade contradiz esse pensamento com perspectivas preconceituosas sobre a educação à distância (EaD) - a qual idealiza que somente o ensino presencial é capaz de formar profissionais capacitados e julga ser de baixa qualidade o aprendizado “on-line”. Por consequência, cada vez menos pessoas se interessam pela didática digital, o que torna, gradativamente, o modelo educacional brasileiro ultrapassado - em comparação aos países desenvolvidos, que usam à tecnologia em prol do desenvolvimento do ensino.

Ademais , é prudente observar que o acesso à redes comunicacionais, na realidade brasileira , não é igualitário. Esse fato é proveniente do histórico cenário do país, o qual é repleto de desigualdades que dificultam a inserção de classes socioeconômicas vulneráveis em programas educacionais dependentes de tecnologias cibernéticas. Dessa maneira,a naturalização de sistemas pedagógicos desse viés elitizam a formação acadêmica e beneficiam apenas uma parte da população que obtêm as exigências necessárias para acessar esse campo academicista. Tal fato ilustra-se através do filme ‘’O Menino que Descobriu o Vento’’, em que o jovem protagonista, em sua busca por conhecimento, depende exclusivamente da instituição escolar física, o que demonstra que a utopia da pedagogia tecnológica não é realidade em sociedades escassas de recursos.

Portanto, é necessário que o Ministério da Educação crie projetos que visem ampliar a EaD e suprimir paradigmas que atrasam a difusão de seus benefícios ao país, com o objetivo de mostrar os privilégios dessa modalidade e aumentar a variedade de cursos oferecidos à população, por intermédio de palestras ministradas em escolas ,para que, apresentem suas vantagens aos estudantes e, também, por meio da disponibilização de incentivos financeiros direcionados às instituições públicas de ensino superior, para que, assim, possam oferecer tais cursos gratuitamente, com o propósito de que o tecido social possa aproveitar os benefícios advindos das transformações sociais da Era Globalizada.