Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 23/08/2020

Segundo um dos principais filósofos da Antiguidade, Aristóteles, o homem é um animal essencialmente político, isto é, precisa interagir com seus semelhantes. Apesar de, atualmente, essa interação não se restringir ao espaço de um pólis grega e está submetida a diversas mudanças com o surgimento de novas tecnologias, como a internet, é natural que o meio educacional procure se adaptar a tais alterações. Nesse contexto, a educação a distância (EAD) surge como uma forma de ampliar o alcance do conhecimento, mas que também oferece desafios, como queda na qualidade do ensino.

A princípio, essa modalidade de ensino tem o potencial de romper, ainda mais, com paradigmas de que a educação é uma atividade elitista. Isso é nítido dado que o meio digital rompe barreiras- alto custo, tempo, deslocamento- que impedem muitos brasileiros de gozar, efetivamente, desse direito garantido na Constituição de 1988. Essa democratização do conhecimento, por sua vez, garante a emancipação do indivíduo, pois, como foi dito pelo filósofo A. Schopenhauer, os limites de visão das pessoas determinam o seu entendimento sobre o mundo que as cerca, e a EAD permite a expansão do campo visual das camadas menos favorecidas do Brasil, em que o ensino superior ainda é encarado como uma realidade distante.

Cabe analisar, também, que o oferecimento da possibilidade de estudar à distância, somente, não assegura a formação de profissionais competentes. Nesse sentido, em “Terra das Mulheres”, utopia escrita por Charlotte Perkins, é evidente uma intensa preocupação coma formação educacional dos jovens, graças a uma consciência coletiva de que eles serão responsáveis pelo futuro da nação. Isso fica claro no trecho “a educação é nossa arte mais nobre, permitida apenas as maiores artistas” e, apesar de se tratar de um universo ficcional, oferece uma lição para a sociedade brasileira de que o ato de ensinar precisa ser tratado com seriedade, sobretudo no âmbito virtual. Dessa forma, caso uma postura semelhante não seja assumida em relação a EAD, ela se tornará apenas um meio de produzir diplomas, e não formar profissionais aptos para contribuir positivamente com o país.

Portanto, com o fito de extrair os benefícios desse ensino e superar seus desafios, é mister que o Ministério da Educação, com o apoio dos governos estaduais, direcione uma ação mais eficaz no controle da qualidade dos cursos ofertados à distância. Isso pode ocorrer com a criação de normas que exijam pré requisitos das instituições de ensino, como profissionais capcitados