Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 24/08/2020

Para o teórico da comunicação,Marshall McLuhan,a contemporaneidade caracteriza-se como uma “aldeia global”,ou seja,o desenvolvimento tecnológico permitiu a comunicação imediata entre as pessoas. Nesse sentido,observa-se que esse aspecto transformou o modelo tradicional de educação, possibilitando o ensino a distância. Dessa forma,é preciso analisar a importância desse método para ampliar a educação,além da desigualdade social como principal fator limitante.

A priori,é válido destacar que essa modalidade é uma importante ferramenta para democratizar o ensino,uma vez que,na atual sociedade hiperconectada,a educação a distância apresenta-se como uma alternativa mais acessível e prática. Esse fato está diretamente relacionado às ideias do pedagogo Paulo Freire. Segundo esse especialista,a “educação bancária” marca as instituições educacionais brasileiras,em que a deposição de informações se sobrepõe a preocupação com a realidade do aluno. Sob essa perspectiva,percebe-se que essa nova metodologia quebra,em parte,com essa lógica,já que permite moldar o processo educativo de acordo com o perfil de cada indivíduo. Nesse viés,além de possuir um menor custo,tal meio oferece adaptações para atender às necessidades dos sujeitos,como flexibilidade de tempo e localidade,sendo,portanto,um recurso essencial para diversas pessoas, principalmente para aquelas que possuem outras responsabilidades,como o trabalho.

Ademais,é importante citar que a educação a distância apresenta a desigualdade do país como um dos seus maiores desafios. Esse contexto exemplifica a teoria do geógrafo brasileiro Milton Santos. Para esse pensador,a “globalização perversa” caracteriza a atual realidade,na qual as inovações científicas foram responsáveis por acirrar as disparidades sociais,visto que seus benefícios se restringem a uma pequena parcela da população. À vista disso,percebe-se que esse desequilíbrio pode intensificar a assimetria educacional,seja entre os indivíduos,seja entre as próprias instituições. Dessa maneira,além da falta de um contato igualitário com a internet,as discrepâncias quanto ao acesso e à disponibilidade de tecnologias adequadas podem promover uma educação deficiente aos sujeitos.

Logo,para ampliar as vantagens desse processo,o Ministério da Educação,órgão responsável por garantir um ensino de qualidade aos brasileiros,deve incentivar esse modelo. Isso pode ser feito por meio da adoção gradual dessa metodologia nas instituições públicas,com a capacitação e a oferta de ferramentas adequadas aos profissionais,a fim de possibilitar uma educação mais acessível e adaptada. Ademais,o Estado deve buscar minimizar os prejuízos do ensino virtual negligenciado mediante a realização de fiscalizações periódicas e a organização de normas mais rígidas,visando intensificar a formação educacional de qualidade e afastar a realidade perversa.