Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 27/08/2020
Na obra “1808”, o autor Laurentino Gomes retrata, dentre outras coisas, a origem elitista da educação no Brasil, concentrada nas capitais mais ricas do período colonial. Apesar de construído sobre tal viés, o atual sistema educacional encontra no ensino a distância (EAD) uma ferramenta para democratizar o acesso à instrução formal. Nesse sentido, potencializar os benefícios desse instrumento significa, por vezes, enfrentar o despreparo dos docentes e a cultura da “internet” como sinônimo de diversão.
A princípio, observa-se que a dificuldade de adaptação dos professores ao EAD é reflexo da falta de preparo durante a graduação. Segundo a Constituição Federal, as faculdades devem capacitar os indivíduos para atuar nos diversos campos de trabalho relacionados à profissão escolhida. A realidade, no entanto, demonstra que isso nem sempre acontece: ao focar os estágios para as aulas presenciais, as Universidades não permitem que o futuro docente desenvolva habilidades próprias do ensino a distância. Tal situação pode afetar a aprendizagem dos alunos, uma vez que o educador não foi instruído a como usufruir dos recursos audiovisuais que essa modalidade de docência permite.
Outrossim, a concepção cultural de que a internet deve ser utilizada apenas como fonte de entretenimento contribui para a problemática. Quanto a isso, o filósofo Mario Sérgio Cortella aponta que os mais jovens chegam a passar mais de cinco mil horas diante de programas midiáticos via plataformas digitais. Com isso, ao serem inseridos nesse contexto, crianças e adolescentes tendem a apresentar dificuldades de adaptação ao EAD por não visualizarem nas tecnologias espaços de aprendizagem. Forma-se, assim, uma massa de sujeitos que não usufruem dos benefícios de outras formas de ensino devido às dificuldades de organização pessoal e concentração nas aulas, que poderiam ter sido instigadas desde a tenra infância.
Depreende-se, portanto, que os desafios para a melhoria da educação a distância devem ser superados. Nesse contexto, cabe ao Ministério da Educação propor a inserção de estágios obrigatórios em EAD para estudantes dos cursos de docência no país. Isso pode ser realizado mediante reuniões com os reitores das instituições federais, nas quais serão discutidas questões como a carga horária e a quantidade das disciplinas a serem cursadas, a fim de que os estagiários possam obter uma melhor preparação. Além disso, os centros educativos devem ampliar o contato dos jovens com o viés educacional do meio digital, valendo-se da oferta de atividades escolares – como simulados e pesquisas – em plataformas “online” já existentes no mercado. Espera-se, assim, potencializar a constribuição do EAD para a democratização do ensino no país.