Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 26/08/2020
O livro “Quarto de despejo” de Carolina Maria de Jesus, retrata o paupérrimo cotidiano de uma brasileira que teve seu direito à educação inibido, devido à falta condições financeiras e à ideia de não pertencimento aos espaços educativos, e ,por isso, letrou-se empiricamente a partir de livros que ela encontrava no lixo. Atualmente, situações como a de Carolina são evitadas, visto que, as novas formas de educação a distância (EAD) vão além do ambiente físico e tem são menos custosas. Entretanto, a EAD gera diferentes perspectivas sobre a sua eficiência, pois ainda enfrenta desafios para sua aplicação plena, como proporcionar um ensino libertador e mudar a visão dos cidadãos sobre aprender.
Nessa perspectiva, o ensino a distância não pode ser bancário, como diz o pedagogo Paulo Freire, no qual o estudante seja apenas um depósito de informações, o ato de educar precisa garantir a boa formação do mesmo. E para isso, o modelo precisa ser aperfeiçoado, para atender as minúcias de cada curso, e ser feito de maneira transdisciplinar, como sugere o sociólogo Manuel Morin, ou seja, usando os mais diversos meios, como as redes sociais que são marcadas por conteúdos supérfluos, mas poderiam, se houvesse mais visibilidade, ser um meio eficiente de propagação de bons conteúdos. Assim, os cidadãos poderiam aprender de forma eficiente e facilitada, o que deve ser a meta da EAD.
Ademais, os cidadãos precisam ser instigados, durante toda sua formação, a gostar de aprender e ver isso como algo positivo, não como uma obrigação. Criando, dessa forma, a mentalidade e disciplina necessárias para a consolidação do ensino a distância. Quanto a isso vale salientar que o Brasil desenvolveu-se de forma segregacionista e, para muitas das populações segregadas, a EAD é a única forma de acesso ao conhecimento. Logo, é de suma importância desenvolver esse ensino, pois ele promove a “sociedade em rede”, como chama o sociólogo Manuel Castells, a qual todos podem ensinar o que aprendeu e o conhecimento é cada vez mais descentralizado, remediando a apartação histórica.
Portanto, diante das perspectivas e desafios da educação a distância, é imperativo que a Associação Brasileira de Educação a Distância faça uma análise de todos os cursos prestados e crie regras rígidas para a aplicação dos mesmos, por instituições,visando suprir as minúcias de cada área para que os estudantes não sejam prejudicados. Ela deve, além disso, monitorar constantemente as aulas e reclamações dos alunos, a fim de avaliar se o ensino está sendo dinâmico e libertador ou apenas depositador. Para mais, o Ministério das Finanças, precisa investir em uma campanha nas redes sociais, que dê visibilidade a influenciadores que instiguem a busca pelo conhecimento, como sociólogos contemporâneos, canais literários e de estudos, em prol de instigar os cidadãos, cotidianamente, a criarem gosto pelo aprendizado e, consequentemente, pelo EAD.