Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 25/08/2020

A Revolução Técnico-Científica foi um marco para o desenvolvimento de tecnologias capazes de tornar mais rápidos os processos de comunicação e informação. Nas sociedades modernas, as tecnologias digitais são usadas, também, para fornecer ensino à distância, o que dá perspectivas àqueles que buscam a educação. Entretanto, uma parcela da população ainda não tem internet em seus domicílios.

Em primeira análise, é válido ressaltar que o Ensino à Distância (EaD) proporciona maiores perspectivas àqueles que buscam a educação, especialmente, aos cidadãos que não tem acesso a um centro educacional próximo de suas residências. De acordo com o sociólogo brasileiro Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Nesse sentido, o EaD é de extrema importância para a parcela da população que almeja estudar, mas que não o faz por entraves, como distância ou falta de tempo, visto que lhes oferece oportunidades de educação e ascensão social.

Em segunda análise, a falta de internet nos domicílios de uma parcela da população é um dos desafios para o ensino à distância (EaD) no Brasil. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), cerca de 22% das residências do país não possuem internet. Essa situação se apresenta, principalmente, pela falta de condições financeiras de muitos indivíduos, o que impede que esse grupo tenha acesso à educação através das mídias digitais, não a democratizando, além de não ser-lhes garantido o direito à educação previsto na Constituição de 1988.

Logo, torna-se necessária a participação do Poder Público para oferecer alternativas e democratizar o Ensino à Distância no Brasil. Inicialmente, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Tecnologia, deve identificar áreas sem acesso à internet, por meio de mapeamento de residências sem rede em todo território nacional. Em seguida, o mesmo Ministério, em parceria com empresas privadas que fornecem redes de internet, deve criar um programa que ofereça esse benefício gratuitamente aos cidadãos de baixa renda e inscritos em programas sociais, como o Bolsa Família, com a instalação de redes em suas residências. Desse modo, a parcela da população sem acesso à internet será beneficiada, tendo a possibilidade de fazer o ensino à distância, além de garantir o direito à educação presente na Constituição de 1988.