Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 24/08/2020

Educação bancária, para o educador Paulo Freire, é aquela que consiste em ‘depositar conteúdos’ na mente dos estudantes, sem desenvolver neles uma percepção mais crítica e social da realidade. Assim, sendo o Brasil conhecido por sua educação bancária, torna-se um imenso desafio a utilização da educação a distância para métodos educacionais, já que os alunado não têm aporte suficiente para estudar de maneira autônoma e produtiva.

Inicialmente, vale destacar o péssimo resultado do Brasil no exame do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) que tem como objetivo analisar como estão as habilidades básicas dos estudantes de vários países. O resultado brasileiro, estando entre os piores, revela a incapacidade dos estudantes de ler e compreender um texto ou utilizar adequadamente as operações básicas matemática, por exemplo. Se um estudante brasileiro não consegue sequer, de maneira exitosa, ler e compreender um texto, o que dirá de fazê-lo solitariamente, num ambiente totalmente virtual? Sem contar com a tamanha dispersão que o espaço virtual por si só já produz em quem o acessa, pois se pode estar conectado a muitas abas ao mesmo tempo.

Além disso, embora seja um direito constitucional, garantido como básico no artigo sexto da Carta Magna brasileira, a educação ainda é um pilar pouco acessível certa parcela populacional. Seja por questões de infraestrutura, por falta de profissionais qualificados ou até mesmo por fatores de ordem socioeconômica, que faz com que os estudantes prefiram trabalhar a estudar, o ensino brasileiro não oferta autossuficiência para que o aprendiz seja capaz de estudar de maneira efetiva sequer numa sala de aula convencional. Tal fato se torna ainda mais difícil se levarmos em consideração que no Ensino a distância o aluno não tem disponível de imediato um professor para sanar suas dúvidas.

Diante de tamanho descalabro e descaso com a educação brasileiro, faz-se emergencial melhorias nesta área. A princípio, o ensino híbrido (aulas presenciais e remotas) poderia ser uma alternativa a ser testada para que o aluno pudesse ir desenvolvendo sua autonomia; posteriormente, também é pertinente a criação de cursos de formações de professores que visassem ao ensino de técnicas e conhecimentos digitais para os mestres repassarem aos seus alunos. Tais medidas poderiam ser realizadas a partir de um programa governamental com políticas públicas voltadas para a área educacional e teria como fito diminuir a falta de autonomia do estudante brasileiro, repensando a educação bancária que ainda nos assola.