Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 26/08/2020
O educador Edgar Morin afirma que a educação deve se dar de maneira transdisciplinar, utilizando os mais diversos tipos de ferramentas e podendo, assim, democratizar seu acesso. Nesse sentido, o ensino a distância (EAD) possibilita que a educação chegue a lugares afastados, favorecendo um grande número de pessoas e garantindo o direito a educação. Por outro lado, a falta de acesso à internet e a superficialidade do conhecimento são alguns dos problemas que afetam a efetivação dessa ferramenta social.
Em primeiro lugar, é imperioso salientar que dos cursos de correspondência, das enciclopédias até o YouTube, o ensino não presencial esteve, historicamente, presente na sociedade brasileira. Segundo o filósofo e educador Manuel Castells, a eliminação de barreiras físicas entre alunos e professores sempre foi uma necessidade, e com o advento da tecnologia, isso tornou-se possível. Nesse contexto, o número de brasileiros matriculados em alguma modalidade EAD supera a marca de 7 milhões, segundo dados do MEC, por possibilitar a facilidade do seu acesso e uma capacitação rápida aliada a uma maior flexibilidade e baixo custo. Logo, a educação a distância impulsiona o desenvolvimento educacional do indivíduo.
Em contrapartida, o Brasil carrega em seu bojo os obstáculos que impedem o avanço desse direito cidadão. De acordo com o CENSO 2015, cerca de um terço da população brasileira não possui acesso a internet - ferramenta essencial na propagação do conhecimento a distância. Nesse viés, a exclusão digital é um dos principais desafios a ser vencido na busca da qualidade e no acesso da modalidade não presencial no país. Além disso, para alguns especialistas, a superficialidade e a falta de fiscalização do EAD, depreciam esse mecanismo de ensino e, também, a boa formação do indivíduo. Sendo assim, a terra verde e amarela tem um longo caminho a percorrer rumo a garantia desse direito. Dessa forma, medidas compartilhadas entre Poder Público e Sociedade Civil tornam-se necessárias para combater e solucionar esses problemas. Nesse ótica, cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia, com vista para diminuir a exclusão causada pela falta de acesso a internet, estabeleça pontos de conectividades gratuitos em lugares públicos como praças e parques, principalmente, nas regiões menos favorecidas por grandes operadoras prestadoras desse serviço. Isso pode ser feito através de uma parceria entre as operadoras e, também, com as escolas que podem oferecer laboratórios de informática para utilização dos computadores. Feito isso, as desigualdades poderão ser atenuadas e a modalidade a distância poderá ser, de fato, uma realidade a todos os brasileiros.