Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 27/08/2020

“Quero me livrar dessa situação precária, onde o rico cada vez fica mais rico, e o pobre cada vez fica mais pobre, e o motivo todo mundo já conhece, é que o de cima sobe, e o de baixo desce.” Esse é um trecho cantado pela banda brasileira “As Meninas”, o qual expressa a realidade de desigualdade social do país, responsável por afetar essencialmente o âmbito educacional. Nesse espectro, se tratando da Educação a Distância, embora ela traga grandes benefícios no processo de conhecimento, como o conforto, pela alta disparidade de renda, muitos indivíduos são privados desse “privilégio”.

Em primeira análise, pode-se dizer que o sistema EAD, referindo-se à produtividade, é o ideal, já que proporciona mais horas de aprendizado, poupando o tempo de locomoção até as instituições presenciais, por exemplo. À vista disso, a jovem brasileira de classe média alta, Luana Carolina, famosa por publicar vídeos de estudo no Youtube, afirma que tornou-se mais simples estudar na comodidade de sua casa, com até mais horas disponíveis, graças ao mecanismo virtual. Nessa perspectiva, segundo Steve Jobs, “A tecnologia move o mundo”, ou seja, permite que processos sejam facilitados, até mesmo os educativos, comprovando a eficácia do método digital escolhido pela “vestibulanda”.

Em segunda análise, porém, nem todos os alunos têm acesso a esse sistema, pois, por apresentar tantos aspectos positivos, ele custa caro, requer internet e um mínimo aparato tecnológico, que ainda não estão presentes na vida de boa parcela do Estado. Isso se torna nítido ao serem considerados dados publicados em 2019 e 2020 pela ONU(Organização das Nações Unidas) e IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nos quais há um grande índice de pobreza no Brasil. De acordo com essas instituições, o país é o sétimo mais desigual do mundo, e vinte e cinco porcento de seus habitantes não acessam à internet, sendo assim, diferentemente de Luana, não podem utilizar o EAD.

Portanto, tendo em vista os argumentos supracitados, urge que o Ministério da Educação, em parceria com a ABED(Assembleia Brasileira de Educação a Distância) e o Ministério de Ciências e Tecnologia, ofereça acesso à internet e a tablets aos estudantes de escolas e universidades públicas. Tal plano estratégico deve atender às regiões mais pobres do país, pois somente assim aprendizes com rendas familiares mais baixas poderão fazer uso do novo modelo de ensino, serão aprovados em vestibulares e ocuparão o mercado de trabalho, findando essa desigualdade social e educacional.