Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 25/08/2020
“Analisando essa cadeia hereditária, quero me livrar dessa situação precária, onde o rico cada vez mais fica mais rico e o pobre cada vez fica mais pobre, e o motivo todo mundo já conhece, é que o de cima sobe e o de baixo desce.” Esse é um trecho cantado pela banda brasileira “As Meninas”, o qual expressa a realidade de desigualdade social do país, responsável por afetar essencialmente o âmbito educacional. Nesse espectro, ao tratar-se da Educação a Distância, embora ela traga inúmeros benefícios, em decorrência da disparidade de renda, muitos indivíduos são privados de tal condição.
Em primeira análise, pode-se dizer que o sistema EAD, referindo-se à produtividade, é o ideal, já que possibilita mais horas de aprendizado remoto, poupando o tempo de locomoção até as instituições presenciais, por exemplo. À vista disso, a jovem brasileira de classe média alta, Luana Carolina, famosa por publicar vídeos de estudos no Youtube, afirma que tornou-se mais simples estudar no conforto de sua casa, com até mais horas disponíveis, graças ao mecanismo virtual. Nessa perspectiva, segundo Steve Jobs, “A tecnologia move o mundo”, ou seja, permite que processos sejam facilitados, até mesmo os educativos, comprovando a eficácia do método digital escolhido pela “vestibulanda aprovada”.
Em segunda análise, porém, não são todos os alunos que têm acesso a esse sistema, pois, por apresentar tantos aspectos positivos, ele custa caro, requer internet e um mínimo aparato tecnológico, que ainda não estão presentes na vida de boa parcela do Estado. Isso se torna nítido ao considerar-se dados publicados em 2019 e 2020 pela ONU(Organização das Nações Unidas) e pelo IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nos quais há um grande índice de pobreza no Brasil. De acordo com essas instituições, o país é o sétimo mais desigual do mundo e vinte e cinco porcento de seus habitantes não acessam à internet, sendo assim, diferente de Luana, não podem utilizar o EAD.
Portanto, tendo em vista os argumentos supracitados, urge que o Ministério da Educação, em parceria com a ABED(Associação Brasileira de Educação a Distância) e o Ministério de Ciências e Tecnologia, ofereça acesso à internet e a tablets aos estudantes de escolas e universidades públicas. Tal plano estratégico deve atender às regiões mais pobres do país, pois somente assim aprendizes com rendas familiares baixas poderão fazer uso do novo modelo de ensino, findando essa desigualdade.