Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 26/08/2020

Em 2020, durante a pandemia do COVID-19, nota-se que a utilização do sistema EAD de ensino cresceu significativamente, em virtude do distanciamento físico dos ambientes escolares. Apesar do crescimento, o que se percebe é que a educação a distância ainda encontra desafios para seu estabelecimento efetivo no âmbito educativo. Diante disso, é essencial reconhecer a falta de preparo dos profissionais da educação, bem como a desigualdade no acesso ao ensino como maiores empecilhos da perspectiva de inclusão social a partir da educação a distância.

É importante ressaltar, inicialmente, a falta de preparo dos profissionais de educação como fator limitante para o estabelecimento do ensino a distância no Brasil. Isso porque, embora sua formação devesse instruir os professores para a complexidade e a eventualidade, o que se verifica, na realidade, é a superficialização desse ensino, que acarreta a má formação profissional. Acerca disso, o sociólogo Edgar Murin defende a ideia de “Educação para complexidade”, tratando de forma global, contextualizada e crítica os assuntos, baseando-se na diversidade dos eventos. Assim, a previsibilidade de ocasiões, por exemplo, de interrupções do ensino tradicional, não deveria ser um empecilho para instrução dos alunos a distância. Entretanto, professores despreparados, aliado ao desinteresse e falta de perspectiva do aluno, leva a estagnação mental, a alienação e sua exclusão social.

Além do preparo inadequado dos professores, que não têm sua formação continuada, cabe ressaltar, ainda, a desigualdade no acesso ao ensino como outro desafio da educação a distância no Brasil atual. Nesse caso, apesar do país, segundo o FMI, ser considerado a 9° maior economia do mundo, toda a renda advinda dela se distribui desigualmente ao longo do território nacional. Essa questão foi, inclusive, retratada por Milton Santos, geógrafo brasileiro, que define o processo de globalização como ele realmente é: perverso. Sendo assim, essa perversidade é notada na exclusão social do Brasil, onde grande parte da população não tem, sequer, acesso à internet, o que, notadamente, prejudica a concretização do ensino EAD no país.

Portanto, percebe-se que a educação a distância no Brasil ainda enfrenta muitos desafios, que necessitam ser combatidos. Para tal, o Ministério da Educação deve promover, junto a agências de educação como SENAC e SENAI, a formação crítica e continuada dos professores brasileiros. Isso deve ser feito por meio da obrigatoriedade de cursos que englobem conteúdo, aplicação e oratória, aliado à tecnologia para melhor instrução do aluno. Assim, cabe um maior redirecionamento do PIB à educação, tendo em vista sua profissionalização para a complexidade. Dessa forma, o crescimento eventual do EAD, a exemplo da atualidade, deixará de ser um problema para se tornar uma solução.