Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 26/08/2020
Segundo dados Associação Brasileira de Educação a Distância (ADEB), aproximadamente sete milhões de brasileiros utilizavam o ensino a distância. Tal fato prova a popularização do fenômeno visto a necessidade do rompimento da barreira entre professor e aluno, motivada tanto por questões econômicas e sociais, ou pelo processo de crescimento do sistema capitalista. Nesse sentido, faz-se necessário analisar as perspectivas e desafios do fenômeno no Brasil.
Em primeira análise, é de suma importância ressaltar que a prática de Ensino a Distância (EAD) apesar de ter se modernizado não é uma criação recente. Prova disso, o “Telecurso 2000” foi um programa televisivo criado em parceria entre emissoras brasileiras com o intuito de promover o ensino de tópicos do ensino básico, e seu propósito era levar conhecimento para quem não possuía acesso formal e presencial a centros educacionais. Sob essa ótica, o ensino sem barreira física torna-se fundamental àqueles que necessitam de uma inclusão educacional, ora que a flexibilização do espaço-tempo e o processo de democratização da internet tem se tornado intenso no Brasil, visto que cerca de 70% da população possui acesso a ferramenta, de acordo com o portal de notícias “G1”.
Em segunda análise, é evidente que o EAD possui restrições, dado que a realidade brasileira e global capitalista determina uma dinâmica de intensidade do trabalho e da segregação social. Nessa perspectiva, o geógrafo Milton Santos analisa a Globalização como um fenômeno fabuloso, uma vez que não privilegia todos os locais do planeta, cria padrões e aumenta a divisão de classes. Constata-se a partir disso, que apesar da facilitação do processo educacional, um desafio a ser enfrentado é o de acesso a esses meios tecnológicos e disponibilidade de tempo, altas jornadas de trabalho, congestionamentos e necessidades financeiras dificultam o ensino a distância. Desse modo, nota-se as barreiras impostas pela dinâmica do século XXI.
É mister, portanto, que o Estado promova a efetividade do acesso a educação por intermédio de investimentos financeiros, a fim de garantir o maior número de privilegiados. Visto que o sistema de ensino presencial está super lotado e a necessidade de mudança da forma mais imediata possível, é fundamental que o Ministério da Educação haja em parceria com o sistema privado de Ensino, concedendo acesso ao maior número de pessoas, em troca de benefícios fiscais, com a criação do programa que poderá se chamar “Educação para Todos”. Os beneficiados pelo programa poderiam se especializar em suas áreas de atuação trabalhista ou de educação básico, garantindo redução da carga horária de seus compromissos durante o período de conclusão do curso. Somente assim, poderemos aumentar o número de privilegiados com a educação no país.