Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 26/08/2020

A Constituição Brasileira de 1988, assim como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, confere a todos os cidadãos o direito inalienável à educação de qualidade. Entretanto, tal realidade não se aplica à educação brasileira, em especial na modalidade a distância, que enfrenta diversos desafios na realidade hodierna. Diante disso, os principais impasses  da educação a distância no Brasil são não só a falta de interesse e de disciplina do aluno, mas também a grave desigualdade social brasileira.

É importante analisar, a princípio, o descaso com que o aluno, por falta de perspectiva, trata as aulas da educação a distância brasileira. Isso porque, segundo o educador Paulo Freire, a educação bancária do Brasil, isto é, que só deposita conteúdos de forma acrítica no estudante, não desperta a curiosidade e a vontade de aprender no aluno, de modo a favorecer o descaso educacional. Nesse contexto, o discente decora as matérias apenas para “passar de ano”, o que é favorecido pela EAD, que, sem o contato entre o professor e o aluno, torna mais fácil o menosprezo da educação pelos estudantes. Aliado a isso, tem-se também a falta de disciplina da maioria dos educandos, que, por não terem consciência da imprescindibilidade do conhecimento oferecido pelos professores e não serem educados para a autonomia, frequentam as aulas por obrigação e não absorvem os conteúdos.

Faz-se necessário observar, ainda, a desigualdade social brasileira, que dificulta a democratização do acesso à educação a distância,devido à falta de acesso aos aparelhos tecnológicos necessários. Nessa perspectiva, Milton Santos, geógrafo brasileiro, dissertou sobre a acentuação das desigualdades mundiais durante a globalização, principalmente nos países em desenvolvimento como o Brasil. Tais contrastes são refletidos na dificuldade enfrentada por grande parcela populacional brasileira para ter um aparelho que possibilite a educação a distância, uma vez que, segundo dados fornecidos pela Organização das Nações Unidas, o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo. Tal situação ganhou visibilidade com a pandemia do vírus COVID-19, na qual, pela necessidade da quarentena, o EAD tornou-se mais corriqueiro e, por conseguinte, contribuiu para a elitização educacional, já que a maioria das escolas públicas continuaram sem aulas por falta de recursos do governo e dos próprios alunos.

Em suma,torna-se imperativo o combate aos desafios da educação a distância no Brasil.Portanto,urge que o Ministério da Educação implemente o formato educacional freiriano, para estimular a autonomia do aluno na busca ativa pelo conhecimento. Isso será feito por meio da reformulação de aulas, as quais deverão ser protagonizadas pelos alunos e acompanhadas por profissionais especializados nesse novo método. Ademais, o Ministério da Economia deve facilitar o acesso a equipamentos tecnológicos por meio da redução dos impostos sobre importação (II),a fim de democratizar o EAD no Brasil.