Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 27/08/2020

Marshall McLuhan afirmava que a evolução dos meios de comunicação alterou drasticamente a forma de absorver conhecimento na sociedade moderna. Como reflexo disso, nota-se a modificação dos espaços de aprendizagem em busca de flexibilização, a exemplo da maior introdução de Educação a Distância (Ead). Diante disso, vale analisar a perspectiva de aumento na demanda dessa modalidade e seus desafios de implantação frente à grande desigualdade no Brasil.

De início, existe claramente um crescimento na demanda do ensino a distância, principalmente, nas Universidades, adequando-se às novas necessidades dos estudantes. Esse aumento advém da expansão de tais espaços a classes com menor poder econômico, as quais, muitas vezes, precisam conciliar trabalho e estudos, logo, a flexibilidade da EaD se mostra atrativa. Entretanto, a ascendência dessa modalidade não deve fomentar a redução de investimentos governamentais nas Universidades “justificada” pela redução de custos em relação à presencial, pois elas são base do desenvolvimento científico e social do país. Todavia, mesmo diante da importância desses centros educativos, governos neoliberais buscam o desmonte das Universidade Públicas em prol da lucratividade das privatizações, defendendo o aumento indiscriminado da Ead. Prova de tais interesses é o Consenso de Washington de 1989, que determinava o corte de verbas na saúde e educação nos países como o Brasil, a fim de incentivar a iniciativa privada. Portanto, o Estado brasileiro deve proteger a Universidade e integrar o Ead de modo a não impactá-la negativamente.

Em segundo lugar, em vista do aumento da demanda da EaD, surge os desafios na sua implantação justa no Brasil devido à grande desigualdade social. Tal problemática consiste na falta de condições de uma parte da população em acessar esse tipo de ensino, pois não disponibilizam de internet de qualidade, espaço adequado em casa ou dispositivos eletrônicos. Essa disparidade se reflete no Índice de Gini brasileiro, que classifica o país como o sétimo mais desigual do mundo, provando o desafio de levar o acesso à formação aos diversos grupos sociais. Assim, a implantação da EaD precisa buscar sanar tais condições, não sendo possível implantá-la exclusivamente, o que significaria mais exclusão.

Em suma, frente a perspectivas e desafios da EaD, é fundamental que o Ministério da Educação amplie os investimentos nas Universidade Públicas por meio da bonificação extra para aquelas com melhores indicadores de desenvolvimento científico e social percentualmente, a fim de que a modalidade presencial e online sejam melhoradas. Somado a isso, o Governo Federal deve criar um programa de auxílio a EaD por intermédio de bolsas mensais de incetivo financeiro a estudantes de baixa renda, objetivando amenizar as desigualdades enfrentadas na busca pela formação acadêmica.