Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 26/08/2020
Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU, o Brasil é o segundo país mais desigual do mundo. As consequências sociais dessa realidade ganham caráter cada vez mais concreto quando se observa a situação da Educação no Brasil, vide que 4 em cada 10 jovens de 19 anos não concluíram o Ensino Médio, segundo o IBGE. Os contornos no que se refere à Educação a Distância são ainda mais drásticos, pois o arcabouço exigido de acesso à internet, estrutura doméstica, aparelhos de qualidade etc. é restrito a uma pequena parcela da população. Essa situação deve-se, em grande medida, a desigualdade de renda e o caráter retrógrado da educação brasileira.
Em primeiro lugar, faz-se necessária a compreensão do papel da desigualdade de renda nessa realidade. De acordo com o economista francês Emmanuel Saez, a desigualdade social cria distorções de instituições fundamentalmente boas, tais quais o sistema de ensino, a malha urbana e até mesmo a democracia. Segundo Saez, a concentração de renda representa a concentração de poder, e assim o sendo, o acesso democratizado aos meios de desenvolvimento de uma educação à distância de qualidade se encontram inviabilizados pelo fato de se oporem à interesses políticos de uma elite. Pode-se complementar com o antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro, que diz: “a crise na educação brasileira não é uma crise, é um projeto.
Em segundo lugar, é imperativo o entendimento do funcionamento da educação nacional. Em sua análise no livro “A Reprodução”, o sociólogo Pierre Bourdieu afirma que o ensino vem perdendo cada vez mais seu potencial de transformação, e garante apenas a reprodução da situação social das condições atuais. Essa perda de capacidade crítica advinda das instituição está em consonância com o conceito de “educação bancária”, do pedagogo Paulo Freire. De acordo com Freire, os colégios no Brasil tratam seus estudantes como se fossem bancos, onde se “deposita” o conhecimento, sem nenhuma reflexão crítica e assim, afastando os alunos do meio escolar.
Portanto, para combater os desafios da educação a distância no Brasil, é fundamental lidar com o abismo da desigualdade social através de um programa federal guiado pelo Ministério da Economia de redistribuição de renda, a fim de permitir um acesso democrático às plataformas de educação online. Para além disso, uma reforma educacional desenvolvida pelo Ministério da Educação e pelo Ministério dos Direitos Humanos junto as secretarias estaduais de educação para aderir ao método freiriano de ensino e fugir da lógica “bancária” de aprendizado, seguindo uma “pedagogia libertadora” através da reformulação do método de ensino e do currículo na aplicabilidade cotidiana. Só assim será possível desenvolver um projeto nacional de Educação a Distância transformador, e não uma “reprodução”.