Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 27/08/2020
Em 2020, uma pandemia causada pelo novo Coronavírus assolou o mundo e trouxe consigo a necessidade de substituir aulas na modalidade presencial, em escolas e universidades, pelo Ensino a Distância (EAD), a fim de reduzir o contágio entre a população. Essa nova realidade temporária voltou o olhar de educadores e alunos para educação a distância no Brasil. Dessa forma, faz-se necessário analisar as perspectivas e desafios desse mais moderno mecanismo de difusão do conhecimento.
O EAD é uma modalidade que vem conquistando cada vez mais adeptos ao longo do tempo, aumentando o interesse do Governo Federal em estimular sua difusão pelo país. Como indício disso, o Ministério da Educação, que antes permitia que apenas 20% da carga horária de cursos superiores presenciais fosse ofertada em forma de EAD, aumentou, em 2020, esse número para 40%. Isso ocorre porque essa modalidade de ensino acaba custando menos aos cofres públicos, no caso de instituições federais e municipais, por não necessitar de recursos para manutenção dos espaços de realização das aulas presenciais.
Entretanto, a difusão da educação a distância no país não se dá de forma democrática. Isso ocorre devido à falta de acesso dos brasileiros mais pobres aos instrumentos necessários para acompanhar as aulas dessa modalidade, como um bom ambiente de estudos, acesso à internet e um aparelho eletrônico para assistir aos conteúdos. Essa realidade foi vista em uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Educação a Distância, em 2017, que analisou 7 milhões de brasileiros matriculados em EAD e constatou que mais da metade era composta por mulheres, entre 26 e 40 anos, que trabalham para custear seus estudos.
Apesar de representar um avanço na forma como o conhecimento é difundido, o ensino a distância precisa de ajustes para se tornar acessível a todos de forma igualitária. Para isso, deve se associar à filosofia do educador brasileiro Paulo Freire, que defende uma educação que leve em conta o contexto social de cada indivíduo. Nessa linha de pensamento, é necessário que o Governo Federal faça um mapeamento das áreas mais carentes de cada estado e entre em contato com os alunos das instituições de ensino daquelas regiões, a fim de entender quais suas principais demandas para a efetivação do EAD. A partir disso, deve disponibilizar o material necessário, podendo ser ele acesso gratuito à internet e tablets, para que esses estudantes tenham, assim, o seu direito constitucional à educação de qualidade garantido.